Brasileiro vive experiência única como soldado solitário nas Forças de Defesa de Israel
Centenas de brasileiros serviram nas Forças de Defesa de Israel (FDI) durante o conflito recente. Entre eles, muitos se tornam “soldados solitários”, militares sem apoio familiar presencial no país. Um desses jovens compartilhou sua jornada, revelando os desafios e as recompensas de servir em um exército estrangeiro.
O sargento S., que prefere não ter seu nome completo divulgado por protocolo das FDI, está há dois anos e quatro meses nas forças israelenses, a quatro meses de completar o serviço militar obrigatório. Ele serve na Brigada Givati, conhecida como “raposas do deserto”.
Sua jornada em Israel começou aos 16 anos, quando seus pais o convidaram para estudar o ensino médio no país. Decidiu aceitar o convite, pensando que não tinha nada a perder. Após concluir os estudos, enfrentou a decisão de permanecer em Israel e se alistar nas FDI ou retornar ao Brasil.
Conforme informação divulgada pelo jornal The Times of Israel, no ano passado, as FDI contavam com cerca de 7 mil soldados solitários, metade deles israelenses e a outra metade imigrantes que foram para o país para servir. O brasileiro S. se encaixa neste último grupo.
A decisão de servir e o chamado para a linha de frente
A decisão de ficar em Israel foi motivada pelo apreço à segurança e à qualidade de vida que o país oferecia. Antes de se alistar, S. dedicou um ano ao voluntariado com crianças em uma escola. O contexto mudou drasticamente com os atentados de 7 de outubro de 2023.
“Fiquei pensando muito comigo, se eu voltava para o Brasil ou não voltava, o que ia dar, porque foi bem difícil. Mas alguma coisa falou para mim que eu tinha que virar combatente. Tinha que ir para a linha de frente para devolver o que Israel já me deu”, relatou o sargento.
Experiência com drones e amizades globais
Nas FDI, S. desenvolveu interesse por tecnologia, especializando-se em drones. Durante a guerra na Faixa de Gaza, atuou na linha de frente, com foco em operações com drones. Ele descreve a experiência como algo que jamais se arrependerá, destacando as profundas amizades formadas com pessoas de diversas nacionalidades.
“Você acaba conhecendo gente do mundo inteiro que decidiu vir fazer isso, decidiu servir no exército por uma causa maior. Cada um tem seu motivo, é realmente pessoal, mas no fim todo mundo veio para poder proteger Israel”, disse S.
O status de soldado solitário e a tensão diplomática
Ser um soldado solitário confere um olhar especial por parte dos israelenses, que oferecem mais oportunidades e apoio. S. explica que a corporação entende as dificuldades de viver longe da família, ter que cozinhar e cuidar de si mesmo após longos períodos de serviço.
A situação diplomática entre Brasil e Israel adiciona uma camada de complexidade à experiência de S. As recentes declarações do presidente Lula comparando a ofensiva em Gaza ao Holocausto e a decisão do governo brasileiro de aderir à ação da África do Sul na Corte Internacional de Justiça contra Israel geraram tensões.
“Acho que a única coisa que tenho para falar sobre isso é que me dói muito. Saber que Israel já ajudou o Brasil em várias crises que aconteceram, se voluntariando… E de repente você vê o seu país ficando contra [Israel], é realmente uma questão que é bem difícil de ver. Eu nunca consegui escolher um lado, porque não tem como. Um é o lugar onde eu cresci, onde eu nasci, e o outro é o lugar que me acolheu”, desabafou o sargento.
Planos futuros e o apreço dos israelenses
Apesar das dificuldades, S. pretende continuar nas FDI após completar o serviço obrigatório, buscando aprimorar suas habilidades como sargento de drones e ensinar novos recrutas. Ele ressalta o carinho que os israelenses têm pelos brasileiros, especialmente ao saberem de sua dedicação como soldado solitário.
“Eles veem um brasileiro e já ficam 100% animados. E quando veem um brasileiro no exército e sabem que ele é soldado solitário, sem os pais, para eles é uma loucura que eu esteja fazendo isso, ter saído de casa pra servir outro país que não é o meu país natal”, concluiu S.