Venezuela: A Realidade Por Trás das Libertações de Presos Políticos

A ONG Foro Penal, principal entidade na defesa de detidos políticos na Venezuela, divulgou um balanço preocupante nesta segunda-feira. Apesar das 444 libertações registradas desde o início de janeiro, quando o governo interino anunciou um processo de solturas, a organização afirma que **mais de 600 pessoas ainda permanecem presas** por motivos políticos no país.

O presidente da ONG, Alfredo Romero, expressou a situação em frente à sede da Polícia Nacional Bolivariana (PNB) em Caracas, local onde dez mulheres, parentes de presos políticos, realizam uma greve de fome desde sábado. Acompanhado por sua equipe jurídica, Romero foi ao local para oferecer apoio às manifestantes, que também se acorrentaram, e para prestar assistência legal.

As declarações da ONG divergem das informações oficiais. Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional venezuelana, informou sobre a libertação de 17 pessoas da mesma unidade policial no último sábado. No entanto, o Foro Penal ressalta que a lista de presos políticos inclui indivíduos cujas famílias não denunciaram os casos por medo ou desconhecimento de seu paradeiro. A organização também não considera como soltura casos em que a pessoa, após sair de um centro de detenção, permanece em prisão domiciliar.

Prisão Domiciliar e Casos Emblemáticos

Exemplos como o de Juan Pablo Guanipa, ex-deputado ligado à opositora Marí­a Corina Machado, e Perkins Rocha, assessor jurí­dico da principal coalizão de oposição, ilustram essa complexidade. Ambos foram libertados em 8 de fevereiro, mas Rocha permanece em prisão domiciliar. Guanipa, por sua vez, foi preso novamente no mesmo dia em que foi libertado, acusado pelo Ministério Público de violar sua liberdade condicional, sendo posteriormente transferido para prisão domiciliar em Maracaibo.

Lei de Anistia em Pauta e Impasse Polí­tico

Em 6 de fevereiro, Jorge Rodríguez havia prometido a libertação de todos os presos políticos com a aprovação de uma lei de anistia, estimada para ocorrer até a última sexta-feira. Contudo, a Assembleia Nacional adiou o debate final sobre o projeto para esta semana, devido a divergências em um dos artigos. Este processo de libertações e a discussão sobre a anistia ocorrem em um cenário de um “novo momento político”, conforme declarado pela vice-presidenta, Delcy Rodríguez, irmã de Jorge Rodríguez.

Famí­lias em Luta e a Busca por Justiça

Enquanto os trâmites políticos avançam lentamente, as famílias dos presos políticos mantêm a pressão. A greve de fome e os protestos em frente a unidades de detenção demonstram a **urgência e a angústia** daqueles que aguardam a libertação de seus entes queridos. A ONG Foro Penal continua a monitorar a situação, buscando garantir que todos os detidos por motivos políticos sejam efetivamente libertados e que a justiça prevaleça no país.

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