Direita planeja grande ato na Avenida Paulista neste domingo com pautas contra o governo Lula e o STF
Um expressivo ato chamado “Acorda Brasil” está programado para ocorrer neste domingo, 1º de março, na icônica Avenida Paulista, em São Paulo. A manifestação, convocada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), visa reunir milhares de pessoas para expressar descontentamento com diversas frentes políticas e judiciais no país.
As pautas centrais do evento incluem o pedido de **anistia para os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023** e a **derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria**, que altera a forma como as penas são aplicadas. A organização espera um grande público, com a expectativa de atrair até 1 milhão de pessoas.
Além disso, o protesto terá críticas diretas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pressão sobre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e discursos voltados ao combate à corrupção e ao aumento de impostos. Conforme informações divulgadas pelos organizadores, o ato busca unificar diferentes setores da direita em um momento considerado decisivo para o campo político. A manifestação ocorrerá simultaneamente em outras capitais brasileiras.
Principais bandeiras do “Acorda Brasil”
Entre as reivindicações mais fortes do protesto está a **anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro**. Segundo Nikolas Ferreira, a derrubada do veto de Lula ao projeto que altera a dosimetria das penas é vista como uma medida crucial para **reverter condenações e reduzir sentenças** aplicadas aos participantes dos eventos. O deputado ressaltou a importância da mobilização, declarando que “não desistir, virou um ato de amor e também um ato de coragem diante de tudo aquilo que tentam impor ao nosso país”.
Pressão sobre o STF e pedidos de impeachment
O ato também pretende direcionar **críticas contundentes ao Supremo Tribunal Federal (STF)**. Há pedidos de impeachment para ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Nikolas Ferreira manifestou nas redes sociais, “Vamos às ruas pelo ‘Fora, Moraes’, diante das perseguições políticas que o país inteiro acompanha, e vamos às ruas pelo ‘Fora, Toffoli’, pelo fim da impunidade diante de escândalos que chocam o país”.
Embora os pedidos de impeachment tenham ganhado destaque nas convocações iniciais, a organização do evento optou por **enfatizar publicamente pautas como a anistia e a derrubada do veto à dosimetria**. Essa ampliação da agenda visa conferir maior alcance político ao protesto, evitando que a mobilização se restrinja a um único foco de confronto institucional, conforme explicaram os integrantes da organização.
Presenças confirmadas e cenário pré-eleitoral
O evento contará com a presença de figuras importantes da direita, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Zema, que é cotado para integrar a chapa presidencial de Flávio Bolsonaro, declarou que “Como não tenho rabo preso, posso afirmar com todas as letras: é inadmissível o que o STF está fazendo com o Brasil”.
Para o deputado Nikolas Ferreira, o ato na Paulista representa um momento **“decisivo” para a direita**, vendo o país em uma “história repetida” de escândalos. Ele incentivou a persistência dos apoiadores, afirmando que o objetivo é mostrar que “até os ‘deuses de toga’ não são intocáveis”. A mobilização também é vista como uma vitrine para a **pré-campanha de Flávio Bolsonaro**, que busca consolidar sua candidatura à Presidência.
O cientista político Gustavo Macedo, professor do Insper, avalia que o ato servirá como um **“teste de narrativa”**, ajudando a identificar quais pautas ressoam mais com o eleitorado em meio ao clima de campanha permanente. Por outro lado, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não deve comparecer por estar em agenda internacional, mas elogiou a capacidade de mobilização de Nikolas Ferreira, afirmando que o deputado “capturou o sentimento de indignação” da população.