Agentes do ICE começam a patrulhar aeroportos dos EUA, agrava crise de paralisação orçamentária
Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) foram deslocados para patrulhar aeroportos dos Estados Unidos, em uma medida anunciada pelo Departamento de Segurança Interna. Essa ação ocorre em meio a um grave impasse orçamentário que tem causado paralisações e longas filas em grandes aeroportos do país.
O reforço acontece após o Senado vetar o projeto de orçamento do Departamento de Segurança Interna, gerando congelamento de verbas e afetando o pagamento de funcionários da Administração de Segurança no Transporte (TSA). Muitos desses profissionais, considerados essenciais, continuam trabalhando sem salário, mas o alto número de faltas tem impactado diretamente a operação dos aeroportos.
A decisão de enviar agentes do ICE, que já atuam em operações de imigração, para os aeroportos foi criticada por democratas, que exigem mudanças nas práticas do serviço. O impasse orçamentário, iniciado no final de semana, provocou filas quilométricas, com alguns aeroportos, como o de Atlanta, orientando passageiros a chegarem com até quatro horas de antecedência.
Impasse Orçamentário Causa Caos nos Aeroportos
O imbróglio teve início na sexta-feira, quando senadores vetaram o orçamento proposto para o Departamento de Segurança Interna. Os democratas condicionam a aprovação a alterações nas políticas do ICE, especialmente após protestos relacionados a mortes de cidadãos americanos sob custódia de agentes de imigração. A falta de verbas congelou o financiamento do departamento.
Com as verbas paralisadas, muitos funcionários da TSA, responsáveis pela segurança aeroportuária, pararam de trabalhar ou faltaram aos postos de trabalho, alegando motivos de saúde devido à falta de pagamento. Isso resultou em longas filas e atrasos significativos em vários dos principais aeroportos dos Estados Unidos, desde o fim de semana e se estendendo para a segunda-feira.
O aeroporto internacional de Atlanta, um dos mais movimentados do país, alertou os passageiros para a necessidade de chegar com considerável antecedência. A situação gerou críticas do presidente Donald Trump, que acusou senadores democratas de não chegarem a um acordo.
Trump Anuncia Reforço do ICE como Retaliação
Em suas redes sociais, o presidente Donald Trump anunciou o envio de agentes do ICE para os aeroportos como uma medida de retaliação direta ao veto do orçamento. Ele declarou que, se os democratas não chegassem a um acordo, os agentes do ICE garantiriam a segurança nos aeroportos de forma incomparável. Trump também mencionou que os agentes não usariam máscaras, diferentemente de operações de busca por imigrantes.
O Departamento de Segurança Interna informou à agência Reuters que os agentes do ICE já foram enviados para 14 aeroportos, incluindo terminais em Atlanta, Nova York (JFK), Cleveland, Pittsburgh, Phoenix e Fort Myers. A presença desses agentes visa auxiliar os funcionários da TSA, principalmente no controle de passaporte e monitoramento de bagagens.
Democratas Exigem Mudanças nas Práticas do ICE
Os democratas apresentaram uma série de exigências para a aprovação do orçamento do ICE. Entre elas, está a necessidade de um mandado judicial para entradas forçadas em residências, a identificação clara dos agentes em seus uniformes e a proibição do uso de máscaras durante operações. O objetivo é aumentar a transparência e a responsabilidade do serviço.
O governo Trump, por sua vez, afirma ter concordado com algumas alterações, como o uso ampliado de câmeras corporais, com exceção para ações secretas, e a limitação de fiscalização em locais sensíveis como hospitais e escolas. Republicanos também apontam mudanças na liderança do Departamento de Segurança Interna como sinais de que o governo está disposto a promover ajustes nas operações do ICE.
Esforços para Resolver o Impasse Continuam
Apesar das tensões, os esforços para solucionar o impasse orçamentário se intensificaram. Tom Homan, responsável pelo patrulhamento das fronteiras, reuniu-se com senadores de ambos os partidos para buscar um acordo. O líder da maioria no Senado, John Thune, expressou otimismo quanto à possibilidade de um consenso.
O Congresso tem um recesso prolongado previsto para o final de março. Thune sinalizou que os senadores poderiam ter seu recesso adiado caso o impasse no financiamento governamental não seja resolvido a tempo. A situação nos aeroportos continua sendo um reflexo direto da crise política em Washington.