Moraes veta acesso de Kleber Cabral a depoimento na PF, aumentando polêmica em investigação do STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, negou ao presidente da Unafisco Nacional, Kleber Cabral, o direito de acessar o próprio depoimento prestado à Polícia Federal. A investigação, conduzida pelo STF, apura o suposto acesso ilegal a dados sigilosos de ministros da Corte e de seus familiares, no âmbito do chamado inquérito das Fake News.

Cabral foi ouvido pela Polícia Federal no dia 20 de fevereiro, a pedido de Moraes, que é o relator do caso no STF. A oitiva ocorreu após o dirigente sindical conceder entrevistas criticando a operação autorizada pelo Supremo contra servidores da Receita Federal, suspeitos de envolvimento no vazamento de informações confidenciais.

A decisão de Moraes em reter o acesso ao depoimento tem gerado controvérsia e dividido opiniões entre as entidades representativas dos auditores fiscais, levantando questões sobre a transparência e o direito de defesa no processo. A informação foi inicialmente divulgada pelo portal O Antagonista.

Investigação apura uso indevido de sistemas da Receita Federal

O depoimento de Kleber Cabral está diretamente ligado à investigação que busca esclarecer suspeitas de uso irregular de sistemas da Receita Federal para acessar dados protegidos de autoridades do STF e de seus familiares. A apuração foi iniciada após a identificação de consultas consideradas indevidas nos sistemas do órgão fiscal.

Como parte da investigação, a Polícia Federal já realizou buscas e apreensões e impôs medidas cautelares a servidores suspeitos. Entre as medidas estão o uso de tornozeleira eletrônica, o afastamento de funções públicas e a restrição para deixar o país, demonstrando a seriedade com que o caso está sendo tratado pelo STF.

Críticas públicas e declarações polêmicas de Cabral

Após as operações deflagradas no âmbito da investigação, Kleber Cabral manifestou publicamente sua crítica à atuação das autoridades. Ele declarou que o ambiente criado pelas investigações poderia gerar temor entre auditores fiscais, dificultando o trabalho de fiscalização.

Em uma entrevista concedida à GloboNews, Cabral fez uma comparação contundente: “Se você perguntar hoje quem está disposto a organizar um grupo de fiscalização para investigar autoridades, provavelmente não encontrará ninguém. Tornou-se menos arriscado fiscalizar membros do PCC do que altas autoridades da República”, afirmou, ressaltando o clima de intimidação percebido.

Divisões internas nas entidades de auditores fiscais

A decisão de Alexandre de Moraes e a condução geral do caso provocaram divergências significativas dentro das entidades que representam os auditores fiscais. No Sindifisco Nacional, por exemplo, a discussão sobre a divulgação de uma nota oficial de solidariedade a Kleber Cabral expôs divisões internas.

A instância nacional da entidade optou por não emitir um posicionamento público de apoio sem ter acesso integral aos autos do inquérito. Em contrapartida, representantes de dezenas de delegacias sindicais se manifestaram de forma independente, divulgando um manifesto em defesa de Cabral e questionando as restrições impostas.

Adicionalmente, a própria Unafisco Nacional emitiu comunicados públicos defendendo os auditores mencionados nas investigações. A entidade também levantou a possibilidade de que funcionários terceirizados, e não auditores fiscais de carreira, pudessem estar envolvidos em parte do suposto esquema de venda de dados, sugerindo uma complexidade maior no caso.

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