Argentina registra queda na pobreza, mas economia segue sob pressão do governo Milei

A Argentina apresentou uma melhora no cenário social no segundo semestre de 2025, com a taxa de pobreza caindo para 28,2% da população, o que representa 8,5 milhões de pessoas. Este dado, divulgado pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), indica uma saída de cerca de 6 milhões de argentinos da condição de pobreza em comparação com o primeiro semestre do mesmo ano.

Apesar do recuo, o presidente Javier Milei enfrenta um ambiente econômico complexo. O Produto Interno Bruto (PIB) apresentou crescimento, impulsionado por setores específicos, mas o consumo interno permanece fraco e o desemprego atingiu o nível mais alto desde a pandemia de Covid-19.

Esses números refletem os esforços do governo em estabilizar a economia argentina após um período de crise. A pesquisa do Indec, que abrange 31 aglomerados urbanos, também aponta para uma diminuição na indigência, com 1,9 milhão de pessoas (6,3% da população) nessa situação.

Redução da pobreza e indigência em 2025

No segundo semestre de 2025, o Indec informou que 8,5 milhões de argentinos viviam abaixo da linha da pobreza, o que corresponde a 28,2% da população. Entre as famílias, 2,1 milhões estavam nessa condição, representando 21% do total. Comparado ao primeiro semestre, quando 31,6% da população (14,5 milhões de pessoas) estavam em situação de pobreza, houve uma queda significativa de 3,4 pontos percentuais.

A indigência, que considera a falta de acesso a uma cesta básica de alimentos para suprir as necessidades diárias de energia e proteína, também apresentou recuo. No segundo semestre de 2025, 1,9 milhão de pessoas estavam em situação de indigência (6,3% da população avaliada), ante 2,1 milhões (6,9%) no primeiro semestre. Entre as famílias, 500 mil foram consideradas indigentes (4,8%), abaixo das 566 mil (5,6%) registradas nos primeiros seis meses do ano.

Desafios econômicos sob o governo Milei

O Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina cresceu 4,4% em 2025, marcando a primeira alta sob a gestão do presidente Javier Milei e a primeira desde 2022. No entanto, especialistas apontam que esse avanço é concentrado em poucos setores, como energia e mineração, e não se reflete em um consumo interno robusto. O consumo segue fraco devido ao forte ajuste nas contas públicas promovido pelo governo.

O desemprego, por sua vez, subiu 1,1 ponto percentual em 2025, atingindo 7,5%. Este é o maior índice desde a pandemia de Covid-19, o que indica um impacto direto das medidas de austeridade na geração de empregos. A inflação, embora tenha caído para 31,5% em 2025, ainda é um ponto de atenção, apesar de ter recuado significativamente em relação aos anos anteriores.

Reorganização econômica e reformas em andamento

A economia argentina vive um momento de transição, com sinais de reorganização após o forte ajuste macroeconômico. O país registrou superávit nas contas públicas em 2024 e 2025, algo que não ocorria há mais de uma década. O governo Milei tem implementado reformas pró-mercado, abrindo a economia e eliminando restrições cambiais.

Uma das reformas mais significativas foi a trabalhista, aprovada em fevereiro, que flexibiliza regras do mercado de trabalho. Contudo, 82 artigos dessa reforma foram suspensos pela Justiça argentina. Especialistas avaliam que o principal desafio para o governo em 2026 será gerar resultados concretos para a população, garantindo uma base sólida de apoio social e consolidando a estabilidade econômica.

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