Ativistas de esquerda preparam nova flotilha para Cuba, em modelo similar à ação para Gaza, gerando debates
Um grupo de ativistas de esquerda, que no ano passado organizou uma flotilha para levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza, anunciou nesta semana a intenção de realizar uma ação semelhante com destino a Cuba. A iniciativa busca, segundo os organizadores, entregar suprimentos essenciais à população cubana, que enfrenta dificuldades agravadas por políticas dos Estados Unidos.
David Adler, coordenador geral da ONG Internacional Progressista e um dos líderes da fracassada tentativa de chegar a Gaza, declarou em entrevista ao jornal espanhol El País que a primeira reunião para definir os detalhes da flotilha ocorrerá neste domingo. Ele criticou veementemente as ações do governo americano.
Adler comparou a situação em Cuba com a da Faixa de Gaza, afirmando que o governo dos Estados Unidos está “asfixiando o povo cubano” com a falta de luz, comida e medicamentos. Ele classificou a política americana como um “cerco” e um “ato de punição coletiva”, que violaria o direito internacional, ecoando as críticas feitas à abordagem de Israel em relação a Gaza.
Apoio de figuras políticas e histórico da ação para Gaza
A Internacional Progressista informou que a iniciativa conta com o apoio de políticas de esquerda, como as deputadas María Fernanda Carrascal, da Colômbia, e Rashida Tlaib, dos Estados Unidos. O grupo ressaltou que a ação para Cuba segue os moldes da Flotilha Global Sumud, que em outubro do ano passado foi interceptada por Israel a caminho de Gaza.
Na ocasião, Israel alegou a existência de um bloqueio naval e afirmou que os ativistas recusaram propostas para entregar os suprimentos em Chipre ou no porto israelense de Ashdod, sugerindo que a ação tinha fins puramente políticos. Uma das participantes mais conhecidas da flotilha para Gaza foi a ativista sueca Greta Thunberg, que já havia tentado chegar ao enclave palestino anteriormente e pode ser convidada para a nova ação.
Contexto da crise em Cuba e sanções americanas
A organização da flotilha para Cuba ocorre em um momento de agravamento da crise socioeconômica na ilha. No final de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a imposição de tarifas sobre produtos importados de países que enviassem petróleo para Cuba. A justificativa oficial foi a alegação de que a ilha serve como base para ações de espionagem e militares de Rússia, China e grupos terroristas.
Essa medida levou o México, que era o maior exportador de petróleo para Cuba, a suspender os envios, intensificando as dificuldades na ilha. Em resposta, a Rússia, aliada do governo cubano, declarou que pretende desafiar a administração Trump e enviar petróleo para Cuba em breve, demonstrando as tensões geopolíticas envolvidas.
Comparação entre as situações e o direito internacional
David Adler comparou diretamente as políticas americanas em relação a Cuba com a situação em Gaza. Ele afirmou que “estamos vendo em Cuba a mesma estratégia que Israel aplicou ao povo de Gaza: um cerco, um ato de punição coletiva que viola todos os aspectos do direito internacional”. Essa declaração busca gerar apoio internacional para a causa cubana, utilizando o precedente da ação para Gaza como argumento.
A proposta de uma nova flotilha levanta debates sobre a eficácia e as implicações de tais ações. Enquanto os organizadores defendem a necessidade de ajuda humanitária e a denúncia de políticas de cerco, críticos apontam para os riscos envolvidos e a natureza política das iniciativas, que muitas vezes acabam sendo barradas ou não atingindo seus objetivos práticos.