Operação da PF no Amapá mira aliado de Alcolumbre e intensifica crise do Banco Master no Senado

A Polícia Federal deflagrou a operação Zona Cinzenta no Amapá, que investiga o diretor-presidente da Amapá Previdência (Amprev), Jocildo Silva Lemos. Lemos foi indicado ao cargo pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e já atuou como tesoureiro em campanhas do senador. A investigação apura aplicações de quase R$ 400 milhões do fundo de previdência de servidores do Amapá em letras financeiras do Banco Master, realizadas em 2024.

A operação policial coloca o escândalo do Banco Master ainda mais próximo do Senado, aumentando a pressão sobre Davi Alcolumbre para aceitar a abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o caso. A crise se aprofunda com a revelação de que os investimentos foram aprovados em menos de 20 dias, apesar de alertas de risco do Ministério Público Federal (MPF) e do Tribunal de Contas da União (TCU).

O senador Alcolumbre não é investigado e seu nome não apareceu, até o momento, nas investigações. Sua assessoria divulgou nota afirmando confiança nas instituições e defendendo apuração transparente. A Amprev se considera prejudicada pelas irregularidades atribuídas ao Banco Master e busca o ressarcimento integral dos valores. As informações são baseadas em reportagem divulgada pela Gazeta do Povo.

Investigação aponta aprovação rápida de investimentos e ignorância de alertas

A operação Zona Cinzenta investiga a aplicação de aproximadamente R$ 400 milhões do fundo de previdência do Amapá em letras financeiras do Banco Master. Segundo a apuração, as aplicações foram aprovadas em um curto período de menos de 20 dias, em julho de 2024, mesmo após alertas de órgãos de controle. Dois membros do conselho de investimentos da Amprev votaram contra o investimento, recomendando nova consulta ao TCU, conforme atas públicas.

A Polícia Federal apura se houve pressão hierárquica dentro da Amprev para acelerar os aportes e se procedimentos internos de compliance foram contornados. A investigação busca reconstruir o fluxo decisório que levou à liberação dos recursos, incluindo a atuação do presidente da Amprev nas reuniões e eventuais comunicações com gestores externos.

Alcolumbre e o cerco político em torno da crise do Banco Master

Embora Davi Alcolumbre não seja investigado, a operação no Amapá intensifica o debate sobre a instalação de uma CPMI do Banco Master. Um requerimento com 281 assinaturas já foi protocolado, mas depende da leitura em sessão do Congresso, prerrogativa de Alcolumbre. A oposição alega uma “operação abafa” e acusa o presidente do Senado de adiar a decisão para evitar pressão política.

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) elevou o tom após a operação, afirmando que Alcolumbre tem o dever de abrir a CPI ou CPMI. Para Girão, há uma tentativa de esvaziar o Senado para que não haja pressão direta sobre Alcolumbre. Ele argumenta que o Legislativo é um poder maior e que o presidente do Congresso deve respeitar a maioria.

Laços políticos e familiares sob escrutínio na Amprev

Além da indicação de Jocildo Lemos para a presidência da Amprev, o conselho fiscal da autarquia conta com Alberto Alcolumbre, irmão do presidente do Senado. Ele não é alvo da operação, mas integra um órgão fiscalizador das ações da Amprev. A oposição vê essa ligação familiar como mais um reforço para a necessidade de uma investigação parlamentar independente.

Segundo o advogado criminalista Jeffrey Chiquini, a resistência política no Congresso em investigar o caso Master se dá porque “esse caso chega em todo mundo”. Ele sugere que a investigação da PF sobre a previdência do Amapá, ligada a Alcolumbre, pode ser o motivo da relutância do senador em criar a CPI.

Amprev se diz prejudicada e busca ressarcimento

Em nota, a Amprev declarou se considerar prejudicada pelas irregularidades atribuídas ao Banco Master e que busca o ressarcimento integral dos valores investidos. A autarquia informou ter adotado medidas judiciais cabíveis, incluindo o bloqueio de repasses financeiros à instituição bancária. A entidade ressaltou que os investimentos correspondem a 4,7% da carteira total e que a atual gestão registrou crescimento patrimonial, garantindo o pagamento de aposentadorias.

A PF apura se o presidente da Amprev ignorou alertas sobre o Banco Master e minimizou advertências de membros do comitê de investimentos. A alta concentração de investimentos em um único emissor é considerada uma prática sensível em fundos previdenciários, elevando o risco sistêmico sobre recursos destinados ao futuro de aposentadorias e pensões.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode gostar

Cláudio Castro Renuncia ao Governo do Rio na Véspera de Julgamento no TSE: Busca Vaga no Senado e Evita Cassação

Cláudio Castro renuncia ao governo do Rio para disputar vaga no Senado,…

Advogados de Daniel Vorcaro Alegam “Sofrimento Psicológico Intenso” e Pedem Fim do Isolamento em Brasília

Defesa de Daniel Vorcaro considera prisão em isolamento “desproporcional” e pede reversão…

Caixa 2 Agora é Dupla Punição: STF Decide que Prática Eleitoral Pode Gerar Crimes em Duas Justiças

STF define que caixa 2 pode levar a punições na Justiça Eleitoral…

Kassab descarta Tarcísio para Presidência e foca em nomes do PSD para 2026: “Página virada”

Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e Secretário de Governo de São…