Dissidência interna no PSOL alega que Guilherme Boulos estaria articulando saída para se filiar ao PT, com possível apoio de Lula para cargo eletivo.

Uma ala dissidente do Movimento Revolução Solidária, ligado ao PSOL, lançou uma bomba política nesta sexta-feira (20), afirmando que o ministro Guilherme Boulos estaria planejando deixar o partido. A motivação, segundo o grupo, seria uma futura filiação ao PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A especulação surge apenas duas semanas após o PSOL rejeitar a formação de uma federação partidária com o PT para as eleições de outubro. A decisão contrariou Boulos, que era um dos principais defensores da aliança.

A informação foi divulgada em uma longa postagem em rede social pela dissidência, que alega que Boulos estaria sendo preterido por Lula para assumir algum cargo eletivo dentro do PT. O grupo também afirma que o ministro levaria consigo o “núcleo dirigente” do movimento. Conforme apuração da Gazeta do Povo, Boulos classificou a carta como “apócrifa” e criticou o que chamou de “oportunismo e desespero”.

Racha interno e alegações de estratégia de saída

A carta da dissidência, divulgada em rede social, sugere que a postura de Boulos em defender a federação com o PT era, na verdade, uma tática para construir uma narrativa que justificasse sua futura saída do PSOL. “Agora fica mais claro que o movimento de pesar o discurso a favor de uma federação era uma tentativa de criação de narrativa para saída do partido”, declarou o grupo.

Segundo a publicação, a decisão de Boulos pela mudança para o PT teria sido tomada entre o final de novembro e o início de dezembro. A dissidência também aponta que a ideia de uma federação teria sido uma sugestão para amenizar a imagem de uma saída “a seco” do partido.

Boulos era defensor da federação, mas sem unanimidade no PSOL

Guilherme Boulos era um dos mais vocais defensores da federação entre PSOL e PT. No entanto, a proposta não contava com apoio unânime dentro do próprio PSOL. Deputados como Sâmia Bomfim, Luiza Erundina, Glauber Braga e Chico Alencar votaram a favor de uma federação com a Rede Sustentabilidade.

Apesar da divergência interna, o PSOL já declarou apoio a Lula para a sua reeleição. Em nota oficial, o partido afirmou que a decisão é uma consequência da prioridade política de “enfrentar e derrotar a extrema-direita”.

Trajetória política de Boulos no PSOL

Guilherme Boulos é filiado ao PSOL desde 2018, ano em que concorreu à Presidência da República, obtendo 617 mil votos no primeiro turno. Posteriormente, disputou a prefeitura de São Paulo em 2020 e novamente em 2024, quando foi derrotado no segundo turno por Ricardo Nunes (MDB-SP).

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