Cães farejadores detectam sinais de câncer em amostras de sangue

Uma pesquisa pioneira na Escola de Veterinária da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, está utilizando cães farejadores para identificar um tipo específico de câncer em amostras de sangue. O estudo, publicado no The Veterinary Journal, demonstra a impressionante capacidade desses animais em detectar o odor característico do hemangiossarcoma canino.

Cinco cães com treinamento prévio para reconhecimento de odores de doenças foram capazes de identificar corretamente as amostras positivas para o hemangiossarcoma em 70% das vezes. Essa taxa é comparável à observada em estudos com cachorros que detectam câncer em humanos, uma área de pesquisa já mais estabelecida.

O hemangiossarcoma é um câncer agressivo que afeta as células dos vasos sanguíneos. Frequentemente, ele é diagnosticado apenas quando o animal já está em estado grave, o que lhe rendeu o apelido de ‘assassino silencioso’. A pesquisa sugere que um terço a metade dos cães pode desenvolver algum tipo de câncer ao longo da vida.

O segredo por trás do olfato canino

Segundo Clara Wilson, membro da equipe de pesquisa, o hemangiossarcoma emite um padrão de compostos orgânicos voláteis com um odor distinto que os cães conseguem perceber. “Os cães têm a capacidade de detectá-los em níveis muito mais baixos do que nós”, explica Wilson. Esses compostos são considerados a chave para a habilidade dos cães em farejar o câncer.

Os cães treinados tiveram contato com amostras de soro sanguíneo de animais com hemangiossarcoma, com outras doenças não oncológicas e de cães saudáveis. O objetivo era avaliar a precisão na diferenciação das amostras.

Tecnologia de ponta para validação

Para registrar a interação dos cães com as amostras, foram utilizados olfatômetros de alta tecnologia. Esses aparelhos, equipados com um feixe de laser infravermelho, detectam quando o cão está examinando uma amostra. Se o animal permanecer na amostra correta por tempo suficiente, um sinal sonoro é emitido, indicando que ele deve buscar sua recompensa.

O resultado positivo confirma que o hemangiossarcoma possui um perfil olfativo detectável, o que é considerado muito encorajador pelos pesquisadores. A detecção precoce é fundamental, pois permite o teste de novas terapias e tratamentos, como a remoção do baço e o início da quimioterapia mais cedo, aumentando as chances de sucesso.

Potencial para exames anuais de triagem

A capacidade dos cães de detectar o câncer em amostras de sangue abre a possibilidade de um teste de odor ser utilizado como um exame anual de triagem para cães. “Detectar o câncer é incrivelmente difícil. Trata-se de um odor muito complexo”, afirma Wilson.

A pesquisa demonstra o imenso potencial dos cães farejadores em auxiliar na medicina veterinária. A detecção precoce de doenças como o hemangiossarcoma pode salvar a vida de muitos animais, melhorando significativamente o prognóstico e a qualidade de vida dos pets.

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