Santos vibra em cores e ritmos: Povos indígenas, preservação marinha, periferia e jogo do bicho dominam o segundo dia de desfiles do carnaval santista.
O segundo dia de desfiles das escolas de samba em Santos, realizado neste sábado (7), na passarela Dr. Cláudio Coutinho, foi um espetáculo de diversidade e emoção. Oito agremiações, quatro do Grupo de Acesso e quatro do Grupo Especial, apresentaram enredos que celebraram a cultura brasileira em suas mais variadas facetas, desde a ancestralidade indígena até as manifestações populares urbanas.
Apesar da chuva que insistiu em cair em alguns momentos, o público presente e os telespectadores puderam acompanhar de perto a criatividade e a dedicação das escolas. Conforme divulgado pelo g1, a chuva não foi capaz de ofuscar o brilho e a energia das apresentações, que trouxeram para a avenida temas como a preservação ambiental, a luta da população negra, a força da juventude periférica e a rica história do jogo do bicho.
As agremiações desfilaram com alas vibrantes, carros alegóricos grandiosos e fantasias detalhadas, cada uma contando sua história e buscando conquistar o título. A noite foi marcada por muita celebração, homenagens e a reafirmação da força do carnaval como expressão cultural e social. O público pôde acompanhar o evento ao vivo pelo g1 e pela TV Tribuna.
Imperatriz Alvinegra abre a noite com exaltação à cultura nordestina
Abrindo os desfiles do Grupo de Acesso, a Imperatriz Alvinegra, de São Vicente, apresentou o enredo “No puro sangue do maior São João, a Imperatriz vem balançar o sertão”. Cerca de 700 componentes e três carros alegóricos exaltaram a cultura nordestina, com referências marcantes à festa junina, às tradições populares e à religiosidade, destacando histórias de cangaceiros como Lampião e Maria Bonita.
A primeira porta-bandeira da escola, Marcinha Imperatriz, ressaltou a importância do enredo como forma de valorizar o povo nordestino e as tradições de São Vicente. A fantasia da porta-bandeira, que representou o ostensório de cultos religiosos católicos, foi um dos destaques da avenida.
Dragões do Castelo afasta energias negativas com “Mandingas e Patuás”
Em seguida, a Dragões do Castelo trouxe o enredo “Não adianta mandinga, muito menos olho gordo… Dragões do Castelo, olha nós aí de novo!”. A escola propôs afastar a inveja e as energias negativas com um desfile marcado por fortes simbolismos espirituais. Foram 800 componentes e duas alegorias que chamaram a atenção pelo brilho e pelas cores vermelha e amarela.
A primeira porta-bandeira, Nataly Wonsuite, expressou sua emoção e realização ao final do desfile. “Minha emoção é um pouco maior porque é a escola da minha família, então é só realização, só felicidade mesmo”, contou, cheia de esperanças para o resultado.
Unidos da Zona Noroeste traz forte mensagem social com “Falsa Abolição”
A Unidos da Zona Noroeste apresentou o crítico e impactante enredo “Falsa Abolição – Somos os netos dos negros que vocês não conseguiram matar”. A agremiação, com 750 componentes, ressaltou a luta do povo negro contra a escravidão e as dificuldades enfrentadas diariamente. O carro abre-alas, com grandes livros de significado histórico e social, e a ala mirim foram grandes destaques.
A primeira porta-bandeira mirim, Lara Victoria Garcia Carvalho de Brito, de 11 anos, definiu o desfile como inesquecível e emocionante, homenageando amigos e a própria escola que lutou para estar na avenida.
Sangue Jovem busca retorno à elite com homenagem ao Santos Futebol Clube
Rebaixada no ano anterior, a Sangue Jovem entrou na avenida determinada a retornar ao Grupo Especial com o enredo “Santos: Maior Espetáculo da Terra”. A escola homenageou os tempos áureos do Santos Futebol Clube, trazendo jogadores veteranos como Manoel Maria, Abel e um sósia de Pelé no carro abre-alas. Cerca de 700 componentes desfilaram, com a bateria caracterizada como jogadores.
A rainha de bateria, Stefany Romualdo, declarou que o objetivo da escola é o retorno ao grupo principal, ressaltando a emoção de reeditar um tema tão querido pela comunidade.
Mocidade Independente Padre Paulo celebra juventude periférica e superação
Abrindo o Grupo Especial, a Mocidade Independente Padre Paulo apresentou o enredo “Guerreiro Menino e a Jornada ao Eldorado Social”. Com 1.200 componentes, a escola destacou as conquistas de jovens da periferia, homenageando Alex Tadeu e evidenciando a superação de obstáculos por meio da cultura. O terceiro carro alegórico, onde vinha Alex Tadeu, sofreu uma avaria em uma das rodas.
Alex Tadeu, educador físico e fundador da UACEP, é um símbolo de inclusão social. O segundo mestre-sala, Paulo Fernando Ana Alves, ressaltou a união da comunidade e o compromisso em buscar a vitória no carnaval.
Mocidade Amazonense exalta raízes indígenas e misticismo
A Mocidade Amazonense, de Guarujá, apresentou o enredo “Enawenê Amazonawê – O feitiço amazonense tem poder”. Com 1.100 componentes, a escola exaltou suas raízes indígenas e a magia do encantamento, referenciando o povo indígena do Rio Iquê. O carro abre-alas, com duas onças gigantes em uma “floresta encantada”, foi um dos grandes destaques.
A musa Nany Santos, que desfila há 20 anos, expressou sua emoção, acreditando ser seu último ano como musa. A escola, que já foi duas vezes campeã do Grupo Especial, busca o título novamente.
X-9 mergulha no oceano com mensagem de preservação marinha
Em busca do bicampeonato, a X-9 apresentou o enredo “Eu vim aqui para te mostrar que o mar está em todo lugar!”. Com 1.370 componentes, a escola encantou com um verdadeiro mergulho no fundo do mar, com cores vibrantes, vida marinha e uma forte mensagem de preservação ambiental. Os carros alegóricos contavam com diversos efeitos visuais.
A primeira porta-bandeira, Thais Paragassú, destacou a energia surreal de desfilar na chuva e a importância da preservação da água e do combate à poluição nos oceanos. A escola é uma das favoritas, com 20 títulos no Grupo Especial.
Unidos dos Morros fecha a noite com a história do Jogo do Bicho
Encerrando os desfiles, a Unidos dos Morros apresentou o enredo “O bicho nosso de cada dia – Um jeitinho brasileiro de sonhar”, abordando a história do jogo do bicho, desde seu surgimento no Rio de Janeiro até seu impacto cultural. Foram 1.500 componentes e três carros alegóricos. A fantasia da porta-bandeira, Lyssandra Grooters, representou a sorte do jogo do bicho.
A agremiação fechou a apresentação com força, energia e carros alegóricos que chamaram a atenção, buscando a vitória na apuração.