Escândalo do Banco Master Coloca Combate à Corrupção no Centro da Disputa Eleitoral de 2026
O avanço das investigações sobre o escândalo do Banco Master catapultou o combate à corrupção para o centro do palco da disputa eleitoral de 2026. O tema, antes em segundo plano, ganhou destaque expressivo em pesquisas de opinião e no debate político nas últimas semanas.
Denúncias de desvios de recursos e de um suposto sequestro do Estado por grupos criminosos transformaram o caso Master. De um golpe financeiro, o episódio evoluiu para um dos maiores escândalos de corrupção da história do país, com suspeitas atingindo autoridades dos Três Poderes da República.
O caso abalou a confiança em instituições como o Banco Central, o Supremo Tribunal Federal e fundos públicos de previdência. A exposição de supostos tráfico de influência e uso privado de estruturas públicas também fortaleceu políticos vistos como antissistema. Conforme informações divulgadas por veículos de imprensa, as pesquisas mais recentes atestam essa tendência, com a corrupção figurando entre as principais preocupações nacionais, conforme divulgado por AtlasIntel/Bloomberg e Genial/Quaest.
Corrupção Dispara em Pesquisas, Superando Outras Preocupações Nacionais
Levantamentos recentes confirmam a ascensão da corrupção como tema de alta relevância para o eleitorado. Uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, realizada entre 19 e 24 de fevereiro com 4.986 eleitores, apontou a corrupção como o principal problema do país, citada por 54,3% dos entrevistados, em virtual empate com a criminalidade e tráfico de drogas (53,3%).
Já o levantamento Genial/Quaest, que ouviu 2.004 eleitores entre 6 e 9 de março, indicou que a violência se manteve em primeiro lugar (27%), mas a corrupção subiu de 17% para 20%, consolidando-se como a segunda maior preocupação nacional. O Datafolha, por sua vez, registrou 9% dos entrevistados citando a corrupção como principal problema, ante 8% em dezembro, um reflexo, segundo especialistas, do tipo de questionário aplicado.
Especialistas Projetam Impacto do Caso Master nas Eleições de 2026
Cientistas políticos avaliam que o caso Master pode ter uma repercussão ainda mais grave do que escândalos anteriores, como o mensalão e o petrolão. A conexão com os Três Poderes e o crime organizado, segundo o cientista político Antônio Flávio Testa, garante uma exposição mundial do caso.
Leandro Gabiati, professor de Ciências Políticas do Ibmec-DF, não prevê uma repetição do cenário da Lava Jato, mas sim um retorno forte do debate sobre corrupção. Ele acredita que a pauta, junto com segurança pública e economia, será prioritária em 2026, com um espectro amplo de alcance, da direita à esquerda.
Gabiati destaca a diferença fundamental para a Lava Jato: o processo atual corre no STF e atinge ministros da própria Corte. Além disso, as investigações ultrapassam o partido governista e envolvem todo o sistema político. Essa dimensão da crise, segundo ele, é proporcional ao seu espectro de alcance.
Partido Novo se Consolida como Principal Bandeira Anticorrupção
Nesse contexto, o partido Novo emergiu como a sigla mais associada à agenda anticorrupção, um espaço antes ocupado pelo Podemos. Desde o início das revelações do caso Master, o Novo tem liderado reações em defesa de apurações rigorosas e punições, como quebra de sigilos e a abertura de impeachments e CPIs contra ministros do STF.
No Senado, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) tem se destacado como expoente dessa ofensiva. Em fevereiro, ele cobrou do presidente da Casa a instalação da CPI do Banco Master, ressaltando o apoio de 51 assinaturas. Em março, voltou a defender a urgência de uma CPMI diante de novos fatos graves.
Lava Jato: Legado e Desmonte de um Símbolo Anticorrupção
O engajamento atual na luta contra a corrupção remete naturalmente à Lava Jato, operação que se tornou o maior símbolo do combate à corrupção na política brasileira e que teve impacto eleitoral significativo, culminando na eleição de Jair Bolsonaro em 2018.
No entanto, a Lava Jato também enfrentou um processo de desmonte. Em 2021, o STF anulou condenações de Lula e confirmou a suspeição de Sergio Moro. Em 2023, Deltan Dallagnol teve seu mandato cassado pelo TSE. Decisões posteriores do STF suspenderam multas bilionárias, reforçando a percepção de um esvaziamento jurídico e político de seu legado.
Esse esvaziamento abriu espaço para a reabilitação de figuras políticas que haviam sido afastadas pela onda moralizante anterior, como José Dirceu. Analistas concordam que o retorno da corrupção ao topo das preocupações eleitorais favorece mais a oposição, especialmente candidatos de direita. O próprio presidente Lula tem buscado se posicionar, falando em enfrentar “magnatas do crime”, em uma tentativa de se cacifar diante do caso Master, que também o desgasta.
Segundo Elton Gomes, professor de Ciências Políticas da UFPI, o fortalecimento do sentimento antiestablishment não significa uma restauração completa da Lava Jato. O assunto voltou e pressiona a campanha eleitoral, tendendo a favorecer conservadores, mas ainda não possui a força para reproduzir os efeitos de 2018.