Mendonça analisou fragmentos de celular para prender Daniel Vorcaro em caso de supostas ameaças
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tomou a decisão de decretar a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro após examinar uma fração mínima do conteúdo extraído de um único celular apreendido pela Polícia Federal. A informação, divulgada por um auxiliar do ministro, descreve a análise como uma “gota no oceano”, indicando que menos de 30% do material disponível foi considerado.
A prisão de Vorcaro ocorreu na última quarta-feira (3), em um contexto que o ministro julgou emergencial. Mensagens encontradas em grupos de WhatsApp teriam revelado o suposto planejamento do banqueiro para atacar jornalistas e autoridades públicas, o que motivou a ação judicial.
A defesa de Daniel Vorcaro, por meio de nota oficial, negou veementemente as acusações. A assessoria do empresário afirmou que ele “jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto”, contestando as interpretações apresentadas.
Apreensões e o Inquérito do Master
No total, a Polícia Federal apreendeu oito celulares pertencentes a Daniel Vorcaro. As investigações, inseridas na operação Compliance Zero, apuram fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. O número de aparelhos apreendidos e aguardando perícia em todo o inquérito ultrapassa uma centena, evidenciando a amplitude da investigação.
STF no centro do escândalo e trocas de mensagens
O vazamento de conteúdo para a imprensa tem colocado o STF em uma posição de destaque no escândalo. Conforme reportado pela Gazeta do Povo, trocas de mensagens atribuídas a Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes sugerem que o banqueiro teria tentado articular manobras jurídicas para evitar sua prisão. Essas conversas teriam ocorrido em 17 de novembro, data da primeira prisão de Vorcaro na Compliance Zero.
Inicialmente, o ministro Alexandre de Moraes classificou as informações como “ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o STF”. Contudo, após a divulgação de novos prints, o gabinete do ministro emitiu novo pronunciamento, alegando ter realizado uma “análise técnica” que demonstrou que Moraes não seria o destinatário das mensagens de Vorcaro. Tais argumentos, no entanto, foram contestados pelo jornal O Estado de S. Paulo (Estadão).
Defesa contesta versão e alega descontextualização
A defesa de Daniel Vorcaro reitera que as mensagens divulgadas foram retiradas de contexto e que não há intenção de ameaçar ou intimidar qualquer pessoa. A versão apresentada pela assessoria do banqueiro busca desqualificar as interpretações que levaram à decretação de sua prisão com base em uma análise parcial do material apreendido.