Morgan McSweeney, peça-chave na ascensão de Keir Starmer, pede demissão em meio a revelações sobre Jeffrey Epstein e nomeação de Peter Mandelson.
O Reino Unido está em polvorosa com a renúncia de Morgan McSweeney, chefe de gabinete do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. A decisão, anunciada neste domingo (8), surge após novas e contundentes revelações sobre o caso Jeffrey Epstein, que lançam uma sombra sobre a nomeação de Peter Mandelson para o cargo de embaixador nos Estados Unidos.
Novos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça americano expuseram os laços de longa data entre Peter Mandelson, de 72 anos, e o financista e pedófilo condenado Jeffrey Epstein. Mandelson, que foi destituído de seu cargo diplomático em setembro passado, vê sua reputação abalada por essas novas informações.
McSweeney, considerado o cérebro por trás da vitória eleitoral de Starmer em julho de 2024, assumiu total responsabilidade pela recomendação equivocada. Conforme apurado pelo jornal The Guardian, o chefe de gabinete admitiu que a decisão de nomear Mandelson foi um erro que prejudicou o partido, o país e a confiança na política.
A renúncia e suas repercussões políticas
Morgan McSweeney, em um comunicado oficial, declarou que a decisão de nomear Peter Mandelson para a embaixada em Washington foi um equívoco que teve um impacto negativo significativo. Ele afirmou que, ao ser consultado, aconselhou o primeiro-ministro a prosseguir com a nomeação e, por isso, assume integralmente a responsabilidade.
A renúncia de McSweeney vinha sendo pressionada por diversos membros do Partido Trabalhista nos últimos dias. A indicação de Mandelson, já ciente de sua conexão com Epstein, foi classificada como um erro catastrófico por muitos correligionários. O ativista trabalhista, no entanto, reafirmou seu apoio a Keir Starmer e seu compromisso em reconstruir a confiança e restaurar os padrões públicos.
Investigações e pedidos de renúncia ao Primeiro-Ministro
A polícia britânica está investigando Peter Mandelson, ex-comissário europeu de Comércio, para apurar se ele cometeu crime ao vazar informações confidenciais do governo do então primeiro-ministro trabalhista Gordon Brown para Jeffrey Epstein em 2009. Essa investigação adiciona mais lenha à fogueira do escândalo.
A pressão sobre o governo Starmer aumentou consideravelmente, com o Partido Nacional Escocês (SNP) e o Partido Verde, além de políticos de outras legendas, pedindo a renúncia do próprio primeiro-ministro. Starmer, contudo, garantiu na última sexta-feira que permanecerá no cargo para cumprir seu mandato.
Uma pesquisa recente do instituto Opinium, divulgada neste domingo, revelou que 55% dos britânicos acreditam que o primeiro-ministro deveria renunciar. Apesar disso, vários ministros saíram em defesa de Starmer, e a expectativa é que a saída de McSweeney possa, por ora, proteger o cargo do primeiro-ministro.
O conhecimento prévio de Starmer sobre as ligações de Mandelson
Em uma declaração feita na quarta-feira (4) durante a sessão semanal de perguntas ao primeiro-ministro no Parlamento, Keir Starmer admitiu ter conhecimento das ligações entre Peter Mandelson e Jeffrey Epstein quando o indicou para o posto diplomático em Washington. Essa confissão, divulgada pelo jornal The Guardian, intensificou as críticas.
Starmer declarou que Mandelson mentiu repetidamente à sua equipe sobre sua relação com Epstein antes e durante seu período como embaixador. O primeiro-ministro expressou arrependimento pela nomeação, afirmando que, se tivesse conhecimento de todos os fatos que vieram à tona posteriormente, Mandelson “nunca teria chegado perto do governo”.
A importância de recordar as vítimas de Epstein
Morgan McSweeney também aproveitou sua nota de renúncia para enfatizar a necessidade de aprimorar os processos de seleção para cargos públicos. Ele fez um apelo para que, acima de tudo, se tenha em mente as vítimas de Jeffrey Epstein, que morreu na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico de menores. O caso Epstein continua a expor fragilidades e a levantar questões éticas no cenário político internacional.