A invasão russa à Ucrânia completa quatro anos, e o conflito se encontra em um ponto delicado, com os Estados Unidos intensificando esforços para mediar um acordo de paz. As negociações, no entanto, enfrentam um obstáculo significativo: as exigências territoriais impostas pelo Kremlin, especialmente sobre regiões do leste ucraniano que permanecem sob controle de Kiev.
Encontros recentes no Oriente Médio e na Suíça, com mediação americana, avançaram em pontos como trocas de prisioneiros e cessar-fogo. Contudo, os temas centrais de território e garantias de segurança continuam sem consenso, colocando cidades como Sloviansk e Kramatorsk no centro das discussões.
Washington busca um entendimento até meados do ano, mas diplomatas indicam um impasse considerável. O destino do Donbas, região que engloba Donetsk e Luhansk, é a chave para qualquer acordo. Conforme informações divulgadas por especialistas em relações internacionais e citadas pela imprensa internacional, essas cidades-fortalezas são mais do que símbolos, são pilares da defesa ucraniana.
O Donbas: Coração do Impasse Territorial
O destino do Donbas, província dividida entre o controle russo em Luhansk e a resistência ucraniana em Donetsk, é o cerne das negociações. Cidades como Sloviansk, Kramatorsk e Kostiantynivka, e até recentemente Pokrovsk, formam o núcleo da linha defensiva ucraniana no leste. Moscou alega ter consolidado o controle de Pokrovsk, enquanto Kiev sustenta que a cidade ainda é parcialmente contestada.
O coronel da reserva do Exército Brasileiro, Marco Antonio de Freitas Coutinho, especialista em relações internacionais, explica que essas cidades são pilares do atual esquema defensivo da Ucrânia. Ele detalha que Sloviansk, Kramatorsk e Kostiantynivka foram fortificadas ainda entre 2014 e 2022, durante a Guerra do Donbas, com um amplo sistema de trincheiras, fossos anticarro, bunkers e campos minados.
O objetivo territorial russo abrange a consolidação do domínio sobre cinco províncias estratégicas: Crimeia, Luhansk, Donetsk, Zaporizhzhya e Kherson. Em Donetsk, a contenção do avanço de Moscou depende quase exclusivamente das fortificações ucranianas, tornando essas cidades-fortalezas o principal ponto de bloqueio ao cumprimento dos objetivos do Kremlin.
O Peso Militar e Estratégico das Cidades-Fortalezas
Coutinho ressalta que as cidades mais bem defendidas do esquema ucraniano estão em Donetsk, onde as defesas são inteiramente construídas pela engenharia militar, sem barreiras naturais relevantes. Essas localidades também concentram importantes eixos de transporte, o que amplia sua relevância estratégica e logística.
A eventual conquista dessas cidades por forças russas significaria o domínio completo da província de Donetsk, um dos principais objetivos de guerra de Moscou. Isso pressionaria Kiev nas negociações de paz, pois a Rússia exige que a Ucrânia deixe essas áreas para estabelecer um cessar-fogo, algo que Kiev não aceita.
Enquanto as cidades-fortalezas permanecerem sob controle de Kiev, a Ucrânia consegue prolongar sua capacidade de resistência, baseando sua estratégia na atrito contínuo contra o inimigo. Cada avanço russo eleva o custo de uma paz negociada, pois amplia as exigências de Moscou.
Outras Frentes e o Impacto nas Negociações
Além das cidades-fortalezas em Donetsk, Kupyansk, em Kharkiv, e Zaporizhzhya, capital da província de mesmo nome, também ganham atenção. Kupyansk se tornou alvo russo para ampliar moedas de troca territoriais e estabelecer uma zona de amortecimento na fronteira.
Em Zaporizhzhya, a capital regional não recebeu o mesmo nível de fortificação que o cinturão defensivo de Donetsk. No entanto, com o avanço russo e a dificuldade em romper as defesas de Sloviansk e Kramatorsk, Moscou redirecionou esforços para esse setor, tornando a frente de Zaporizhzhya uma das mais ativas.
O Valor Simbólico e Político das Conquistas Territoriais
Para o estrategista internacional Cezar Roedel, as cidades-fortalezas do Donbas concentram peso militar, impacto político e valor simbólico, tornando-as o ponto mais sensível das negociações. Militarmente, impedem o controle pleno do Donbas pela Rússia. Politicamente, ceder essas cidades significaria reconhecer ganhos concretos para o Kremlin.
Simbolicamente, essas cidades podem definir quem