Vigilante confessa ter matado ex-amante a cacetadas e facadas em São Carlos, mas alega legítima defesa.
Uma cozinheira de 47 anos, identificada como Gilza Alves, foi brutalmente assassinada na madrugada desta quarta-feira (25) em São Carlos, no interior de São Paulo. O principal suspeito é seu ex-amante, um vigilante de 52 anos, que confessou o crime à polícia. Ele alegou que agiu em legítima defesa após a mulher invadir sua residência e ameaçá-lo.
O crime ocorreu por volta de 1h15 na Rua Paraná, no bairro Jardim Cruzeiro do Sul. O suspeito, Paulo André dos Santos, dirigiu-se espontaneamente ao plantão policial de Araraquara, confessou o homicídio e foi encaminhado à delegacia de São Carlos. Após prestar depoimento, ele foi liberado, pois se apresentou voluntariamente, descaracterizando o flagrante.
A defesa do vigilante sustenta a tese de legítima defesa ou, no mínimo, reação a uma agressão injusta. Conforme o Boletim de Ocorrência, a casa apresentava sinais de arrombamento, com o portão da garagem torto. O corpo da vítima foi encontrado caído na cozinha, com um celular sob sua cabeça.
A polícia foi acionada uma hora antes por relatos de que uma mulher estaria tentando invadir a casa, mas nada foi encontrado na primeira abordagem. Um vizinho relatou ter ouvido gritos e, em seguida, visto o carro do vigilante se afastando do local. Este mesmo vizinho, ao entrar na residência após o ocorrido, encontrou Gilza Alves caída na cozinha e a reconheceu como a pessoa que vinha ameaçando os moradores dias antes.
Relatos de ameaças anteriores e caso extraconjugal marcam o crime
Segundo o registro policial, o vizinho informou que Paulo André dos Santos teve um caso com a vítima. Antes do homicídio, o suspeito e sua esposa haviam registrado um Boletim de Ocorrência relatando que estavam sendo ameaçados e perseguidos por Gilza Alves, que teria descoberto o endereço deles e passado a importuná-los.
Ao se apresentar à polícia, o vigilante detalhou que, ao retornar para casa após deixar a esposa na casa da sogra, foi surpreendido por Gilza. Ele afirmou que a vítima invadiu a residência portando uma faca e avançou em sua direção. Nesse momento, ele teria pegado um cacetete de metal e desferido golpes contra ela, e em seguida, utilizou uma faca para ferir o pescoço da cozinheira.
Defesa aponta para legítima defesa e colaboração do investigado
O advogado de defesa, Claudio Diogenes Luiz, enfatizou que o caso é sensível e exige cautela. Ele ressaltou que o Boletim de Ocorrência contém uma narrativa inicial que será investigada. O ponto central para a defesa é o registro prévio de ameaças e perseguições feitas pela própria vítima contra o investigado e sua família.
O advogado argumenta que há indícios de que Gilza Alves invadiu a casa do vigilante no dia dos fatos, o que, em sua visão, altera a análise jurídica. A defesa trabalha com a hipótese de legítima defesa, ou uma reação a uma agressão injusta dentro da própria residência. A apresentação espontânea do suspeito à polícia e sua colaboração são pontos destacados pela defesa para demonstrar a ausência de intenção de fuga e a disposição para o esclarecimento dos fatos.
Investigação em andamento e possível pedido de prisão preventiva
O caso foi registrado como homicídio e lesão corporal no Plantão Policial de São Carlos. Apesar da liberação do suspeito devido à apresentação voluntária, o delegado responsável pela investigação pode solicitar a prisão preventiva do autor. A defesa confia que, ao final da apuração, os elementos serão analisados com equilíbrio e a verdade dos fatos, comprovando a legítima defesa, será reconhecida.
Foram apreendidos no local um objeto de metal amassado, duas facas sem vestígios de sangue aparente e o celular da vítima. A investigação busca esclarecer todos os detalhes do ocorrido, incluindo a dinâmica da invasão e a sequência dos eventos que levaram à morte de Gilza Alves.