CPI do Crime Organizado avança e mira novos alvos em investigação sobre o Banco Master, incluindo quebra de sigilos e convocação de servidores do Banco Central para esclarecer supostas fraudes financeiras e lavagem de dinheiro.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o Banco Master aprovou medidas significativas nesta quarta-feira (11), buscando desarticular a estrutura de um grupo suspeito de envolvimento em **corrupção, lavagem de dinheiro e ameaças a autoridades**. As ações visam aprofundar o cerco sobre os envolvidos, com foco em figuras centrais do caso.

Entre as decisões estão a quebra de sigilos fiscais, telefônicos e telemáticos de pessoas chave na investigação, além da convocação de servidores do Banco Central que podem ter atuado como informantes privilegiados. A CPI pretende entender a extensão da influência do grupo e as possíveis falhas nos mecanismos de fiscalização.

As novas etapas da investigação, conforme apurado por jornalistas, indicam um esforço concentrado para obter provas e conexões que sustentem as acusações. A comissão busca, com essas medidas, não apenas identificar os responsáveis, mas também recuperar valores supostamente desviados e prevenir futuras ocorrências.

Empresário e ‘Sicário’ sob escrutínio após quebra de sigilos

A comissão autorizou a abertura dos dados fiscais, telefônicos e de comunicação digital do empresário **Fabiano Zettel**, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, e de **Luiz Philippi Mourão**, conhecido como ‘Sicário’. Zettel é investigado por sua participação em **fraudes financeiras**, enquanto Mourão é apontado como o responsável por um braço armado e tecnológico utilizado para coagir opositores do grupo.

Servidores do Banco Central são convocados e suspeitos de aliciamento

A investigação aponta para o possível aliciamento de dois servidores do Banco Central, **Paulo Sérgio Neves de Souza** e **Bellini Santana**. Eles são suspeitos de atuar como consultores informais para Daniel Vorcaro, recebendo propina em troca de informações sigilosas sobre a situação do Banco Master. Essa prática teria permitido à instituição antecipar-se a fiscalizações e medidas punitivas.

Jatinhos particulares e a gestora Reag no centro das suspeitas

Senadores aprovaram requerimentos para obter detalhes sobre o uso de uma aeronave **Embraer Legacy 650**, incluindo a lista de passageiros e registros de propriedade. Suspeita-se que o jato era utilizado por Daniel Vorcaro e seus sócios para deslocamentos estratégicos. Paralelamente, o fundador da gestora Reag, **João Carlos Mansur**, foi chamado para explicar o suposto uso da empresa na lavagem de R$ 30 bilhões da facção criminosa PCC. A Polícia Federal considera a Reag uma peça fundamental na engrenagem financeira do esquema investigado.

Presidente do Banco Central é solicitado a detalhar processos internos

A CPI solicitou ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, informações detalhadas sobre os processos internos que levaram ao afastamento dos servidores investigados. O objetivo é compreender a extensão da **infiltração do grupo de Vorcaro** dentro do órgão regulador e verificar se houve invasão de sistemas da Justiça e do próprio Banco Central para beneficiar o Banco Master e seus controladores. A comissão busca clareza sobre a governança e os mecanismos de controle do Banco Central frente a tais alegações.

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