CPMI do INSS avança em investigações e mira aliados de Lula, ampliando embate com o governo.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou uma série de requerimentos que prometem desgastar o governo petista, indo além da quebra de sigilo do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As medidas incluem convocações e acesso a dados bancários e fiscais de empresários e ex-integrantes do Ministério da Previdência.
O foco agora se estende a figuras como o ex-CEO do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, o ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência, Adroaldo da Cunha Portal, e empresários como Gustavo Marques Gaspar, Roberta Moreira Luchsinger e Danielle Miranda Fonteles, além da empresa CredCesta.
A oposição alega que as ações são necessárias para rastrear o fluxo de recursos e esclarecer possíveis vínculos entre os operadores do esquema de fraudes e pessoas com trânsito político em Brasília. Por outro lado, governistas acusam a comissão de desviar do foco técnico para gerar desgaste político. Conforme informação divulgada pela fonte, a aprovação dos requerimentos ocorreu após meses de tentativas da base governista de evitar que as investigações sobre as fraudes nos descontos irregulares do INSS impactassem diretamente o Palácio do Planalto.
Lulinha e aliados sob investigação: o que está em jogo na CPMI do INSS
A CPMI do INSS intensifica a pressão sobre o governo federal ao aprovar a quebra de sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. A investigação apura um esquema bilionário de fraudes em descontos associativos de aposentados. O ministro do STF, André Mendonça, autorizou o compartilhamento de dados que deram novo fôlego aos trabalhos da comissão, que corre contra o tempo para concluir as apurações até o fim de março.
A defesa de Lulinha, por meio do advogado Guilherme Suguimori Santos, declarou estar “absolutamente tranquila” quanto ao resultado das quebras de sigilo, afirmando que ele “não teve nenhuma participação nas fraudes do INSS e não cometeu nenhum crime”. O pedido de acesso à “suposta quebra de sigilo” foi protocolado no STF, com a informação de que os documentos pertinentes serão fornecidos voluntariamente.
Augusto Ferreira Lima, o “banqueiro do PT”, e a CredCesta no centro das atenções
O ex-CEO do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, figura central na estruturação de crédito consignado investigado pela CPMI, tornou-se um dos principais alvos. A comissão aprovou cinco requerimentos para sua convocação e a quebra de seus sigilos bancário e fiscal entre 2015 e 2025. A oposição, liderada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), o apontou como o “banqueiro do PT”, destacando sua ligação com políticos petistas da Bahia, como os ministros Rui Costa e Jaques Wagner.
A empresa CredCesta, dona do cartão de crédito de mesmo nome, também foi incluída na lista de alvos, com a aprovação da quebra de seus sigilos bancário e fiscal. Os requerimentos buscam rastrear a origem e o destino de recursos vinculados à concessão de crédito consignado a aposentados e pensionistas, modalidade que está no centro das investigações da Operação Sem Desconto.
Amiga de Lulinha e ex-publicitária do PT: novas frentes de investigação
A empresária Roberta Moreira Luchsinger, amiga de Lulinha, teve a quebra de seus sigilos bancário e fiscal aprovada pela CPMI. Ela foi citada em depoimentos e relatórios da Polícia Federal no âmbito da Operação Sem Desconto. Parlamentares da oposição apontam que uma empresa ligada a Roberta teria recebido cinco repasses de R$ 300 mil atribuídos a Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, um dos operadores do esquema.
A publicitária Danielle Miranda Fonteles também entrou na mira da CPMI, com a quebra de seus sigilos bancário e fiscal e acesso a Relatórios de Inteligência Financeira (RIF). Segundo o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), Danielle é apontada como possível operadora de estruturas internacionais ligadas ao grupo investigado, com atuação em movimentações financeiras no exterior e intermediação de transações imobiliárias. Dados do Coaf indicam que Danielle Fonteles recebeu R$ 5 milhões do “Careca do INSS” entre novembro de 2023 e março de 2025.
Ex-assessores de vice-líder do governo e o encontro secreto no Ministério da Previdência
Em outra frente, a CPMI aprovou a convocação do empresário Gustavo Marques Gaspar e do ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência, Adroaldo da Cunha Portal. Ambos são citados em requerimentos que apontam para uma reunião realizada em 13 de março de 2023 nas dependências do ministério, acompanhados pelo “Careca do INSS”, com Adroaldo Portal. O encontro não constou na agenda oficial da pasta, levantando questionamentos sobre transparência.
Gustavo Marques Gaspar é ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula no Senado. Adroaldo Portal, que era o número 2 do Ministério da Previdência, também atuou como assessor de Weverton Rocha. Ambos foram presos preventivamente em dezembro. O ministro André Mendonça concedeu prisão domiciliar a Gaspar em 11 de fevereiro.