Preocupação com Diesel Gera Restrições no Transporte Público Gaúcho
Prefeituras em diversas cidades do Rio Grande do Sul estão implementando medidas drásticas no transporte público, como a redução de horários e frequências de ônibus. A justificativa principal é a dificuldade em adquirir diesel, combustível essencial para a operação da frota.
As alterações, que ocorrem principalmente nos fins de semana, quando o fluxo de passageiros é menor, visam a **preservação dos estoques de combustível**. A situação já afeta um número significativo de municípios gaúchos, gerando apreensão entre os moradores e os gestores públicos.
Um levantamento da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) aponta que pelo menos 142 prefeituras já enfrentam problemas relacionados à falta de diesel. Esse número representa 45% dos municípios que responderam a um questionário da entidade, evidenciando a **magnitude do problema** em todo o estado.
Impacto em Serviços Essenciais e Obras
A prioridade dos gestores municipais, diante da escassez de diesel, tem sido garantir o funcionamento de serviços essenciais, como o transporte de pacientes para unidades de saúde. Em contrapartida, obras que dependem de maquinário pesado, e consequentemente de combustível, começam a ser suspensas em diversas localidades.
Em Rio Grande, no Sul do estado, a empresa Transpessoal, com autorização da prefeitura, já reduziu os horários de ônibus desde o dia 10 de março. Linhas que antes operavam com intervalos de 10 a 15 minutos agora podem ter ônibus a cada 20 a 25 minutos, em um esforço para **economizar o diesel disponível**.
Situações Críticas e Monitoramento Constante
Em São Leopoldo, na Região Metropolitana, o transporte chegou a ser interrompido no domingo, 15 de março, e funcionou apenas em horários de pico no sábado. Embora a circulação tenha sido normalizada nesta semana, o Consórcio Operacional Leopoldense mantém a situação sob monitoramento rigoroso.
Novo Hamburgo, também na Região Metropolitana, terá uma readequação nos horários de 29 das 93 linhas de ônibus aos sábados e domingos, a partir de 21 de março. As mudanças se concentram nos horários de entrepico, buscando **otimizar o uso do diesel**.
Suspensão de Serviços em Bento Gonçalves e Visão do Setor
Na Serra Gaúcha, Bento Gonçalves terá a operação do transporte coletivo suspensa aos domingos, 22 e 29 de março. Aos sábados, 21 e 28 de março, os ônibus circularão apenas das 5h45 às 13h, uma medida extrema para contornar a falta de diesel.
O Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sulpetro) afirma que, apesar das dificuldades, **não há desabastecimento de diesel no estado**. No entanto, a entidade comunica que o abastecimento das distribuidoras para os postos ocorre de forma racionada, o que explica as restrições em serviços como o transporte público.
Posição do Governo e Fatores Globais
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que segue monitorando o mercado e, até o momento, não identifica restrições à disponibilidade de combustíveis no país. A Petrobras, por sua vez, esclareceu que não atua no setor de distribuição desde 2021 e que seu preço de venda é apenas um dos componentes do valor final na bomba.
A possibilidade de uma crise no abastecimento está ligada a fatores globais, como o conflito no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte de petróleo. Isso pressionou os custos do diesel no Brasil. O governo federal busca alternativas, mas uma proposta de zerar o ICMS sobre a importação de diesel foi recusada pelos governadores.
Na semana passada, o presidente Lula anunciou a isenção de impostos federais e uma ajuda financeira a produtores e importadores de diesel, em uma tentativa de **amenizar a crise de abastecimento** e seus impactos no transporte e em outros setores.