Ana Claudia de Moraes, cunhada do ministro Alexandre de Moraes, é citada em polêmica envolvendo o Banco Master.

A advogada Ana Claudia Consani de Moraes, esposa de Leonardo de Moraes e cunhada do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, foi apontada como a autora do Código de Ética do Banco Master. A informação, divulgada pelo Poder 360, reacende o debate sobre a atuação de familiares de autoridades em contratos com instituições financeiras e levanta questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse.

Segundo a reportagem, Ana Claudia atua como consultora no escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Este escritório teria sido o responsável pela elaboração do Código de Ética para o Banco Master, uma instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro. A atuação da advogada nesse contexto tem gerado repercussão e mobilizado o cenário político.

A Gazeta do Povo buscou contato com o escritório Barci de Moraes para obter um posicionamento sobre o caso, e o espaço permanece aberto para manifestações. A nota divulgada pelo escritório em 9 de março de 2026 confirmou a prestação de serviços ao banco, detalhando que a elaboração do Código de Ética fazia parte do escopo de trabalho. Conforme informação divulgada pelo Poder 360, a atuação de Ana Claudia também se estende a comissões importantes em entidades como Petrobras, OAB-SP, e institutos de direito empresarial e administrativo sancionador.

Escritório de Advocacia e Contrato Milionário com o Banco Master

O escritório Barci de Moraes informou, em nota oficial, que a elaboração do Código de Ética para o Banco Master foi parte dos serviços prestados à instituição. Apesar de não confirmado oficialmente pelo escritório, o Poder 360 aponta que a banca teria recebido uma quantia expressiva, superior a R$ 80 milhões, do Banco Master. Esses valores seriam referentes a serviços prestados entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.

O contrato, que inicialmente previa uma duração de 36 meses, vigorou por 22 meses, com honorários mensais estimados em pouco mais de R$ 3,6 milhões. A interrupção dos trabalhos ocorreu após a primeira prisão de Daniel Vorcaro, em decorrência da operação Compliance Zero. Durante o período de prestação de serviços, o escritório registrou a realização de 94 reuniões de trabalho, totalizando 267 horas dedicadas às atividades relacionadas ao banco.

Falhas Identificadas no Código de Ética do Banco Master

A análise do Código de Ética elaborado para o Banco Master revelou a existência de falhas significativas. Em um trecho específico, o documento apresenta uma orientação considerada equivocada sobre investimentos pessoais e conduta financeira dos colaboradores. Essa orientação inadequada pode gerar interpretações errôneas e ter implicações negativas para os funcionários do banco.

Outro ponto de atenção reside em uma seção que indica a ausência de conteúdo que deveria ter sido incluído. O tipo de marcação encontrada sugere que o documento era um modelo a ser preenchido posteriormente, o que aponta para uma possível falha na revisão final do material, que foi datado de março de 2025. Em resposta às inconsistências apontadas, o escritório Barci de Moraes reiterou o conteúdo de sua nota de março, mantendo as explicações gerais sobre os serviços prestados ao Banco Master.

Deputado Pede Convocação de Ana Claudia e do Ministro Alexandre de Moraes para CPMI

Diante da repercussão do caso, o deputado Kim Kataguiri (União-SP) protocolou, em 11 de março, um requerimento para convocar a advogada Ana Claudia de Moraes para prestar esclarecimentos na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. O parlamentar também apresentou um pedido para que o próprio ministro Alexandre de Moraes seja ouvido pela comissão.

A solicitação de convocação visa aprofundar a investigação sobre os contratos e a atuação do escritório de advocacia no contexto do Banco Master, buscando esclarecer quaisquer irregularidades ou conflitos de interesse. A presença da cunhada do ministro e, potencialmente, do próprio ministro, na CPMI, promete adicionar um novo capítulo a esta polêmica que envolve figuras públicas e o setor financeiro.

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