Daniel Vorcaro, o banqueiro do grupo Master, está em um momento delicado após sua prisão preventiva. Atualmente no período de triagem no Presídio de Segurança Máxima de Brasília, ele enfrenta um isolamento inicial de 20 dias, sem contato com outros detentos ou acesso à televisão. Nesse cenário, o pedido por livros feito por Vorcaro à sua defesa chama a atenção.
A única leitura permitida ao empresário, até o momento, é a Bíblia. Seus advogados estiveram com ele na última quarta-feira (11) para tratar de assuntos da defesa. Durante a visita, Daniel Vorcaro expressou o desejo de receber livros para passar o tempo na cela, demonstrando a busca por atividades intelectuais em meio à reclusão.
Paralelamente, a defesa de Daniel Vorcaro negou veementemente nesta quinta-feira (12) qualquer negociação para uma delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A nota oficial emitida pela equipe jurídica buscou esclarecer a situação e desmentir boatos que circulam no meio jurídico.
Conforme comunicado enviado ao blog, a defesa afirmou que as notícias sobre uma iniciativa de tratativas de delação premiada são inverídicas e que tais informações jamais partiram dos advogados. A divulgação desses rumores é vista como uma tentativa de prejudicar o exercício da defesa em um momento considerado sensível para o caso.
O foco da defesa agora é o julgamento da prisão preventiva no STF
Apesar da negativa da defesa, o ambiente jurídico ainda especula sobre a possibilidade de discussões acerca de uma delação premiada. No entanto, a prioridade da equipe de Daniel Vorcaro é o julgamento que se inicia nesta sexta-feira (13) na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). O colegiado analisará a decisão monocrática do ministro André Mendonça, relator do caso, que determinou a prisão preventiva do banqueiro em 4 de março.
Os ministros da Segunda Turma terão até o dia 20 de março para registrar seus votos no sistema eletrônico, decidindo sobre a legalidade da prisão. A expectativa é de que a decisão colegiada traga novos desdobramentos para o caso Master.
Dias Toffoli se declara suspeito e outro ministro assume a análise
Um fato relevante que impacta o julgamento é a declaração de suspeição do ministro Dias Toffoli. Na noite de quarta-feira (11), Toffoli se declarou suspeito para julgar tanto a decisão monocrática de Mendonça quanto um pedido de instalação de CPI para investigar o caso Master na Câmara dos Deputados. A justificativa apresentada foi de “motivo de foro íntimo”, sem maiores detalhes.
Com a saída de Dias Toffoli, o ministro Cristiano Zanin foi sorteado para analisar o pedido de CPI. Assim, a Segunda Turma do STF contará com quatro ministros para julgar a prisão preventiva de Daniel Vorcaro. Os ministros que participarão do julgamento são André Mendonça (relator), Gilmar Mendes (presidente da turma), Kassio Nunes Marques e Luiz Fux.
Defesa de Daniel Vorcaro busca a liberdade enquanto o caso se desenrola
O período de triagem de Daniel Vorcaro, que dura 20 dias, é uma etapa padrão para novos detentos. Durante essa fase, o isolamento é mantido para procedimentos de adaptação e avaliação. A solicitação por livros, nesse contexto, demonstra a tentativa de manter a sanidade e o intelecto ativos.
A defesa, por sua vez, trabalha para reverter a prisão preventiva, focando nos argumentos que serão apresentados ao STF. A negativa sobre a delação premiada reforça a estratégia de focar na liberdade de Daniel Vorcaro e na contestação da decisão de prisão, aguardando o julgamento da Segunda Turma.