Delegados da PF aprovam paralisação e cobram governo Lula por investimentos em segurança

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) anunciou uma paralisação a partir desta semana. A medida visa pressionar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a acelerar a criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC).

A expectativa é que a data exata da paralisação seja definida em uma nova reunião marcada para esta terça-feira (24). A ação, batizada de “82 horas sem a PF”, faz alusão aos 82 anos da corporação, que serão completados neste sábado (28).

A principal reivindicação da categoria é a **”ausência de encaminhamento”** do FUNCOC ao Congresso Nacional. Conforme informação divulgada pela ADPF, a proposta do fundo, apresentada pelo Ministério da Justiça em novembro do ano passado, visa destinar recursos confiscatos do próprio crime para o financiamento da segurança pública e modernização tecnológica da Polícia Federal.

Motivação da paralisação e o FUNCOC

A paralisação foi aprovada em assembleia geral extraordinária no último dia 20. Durante o período, as atividades administrativas serão suspensas, com a manutenção apenas dos atendimentos emergenciais, como flagrantes e situações de violência ou grave ameaça. O FUNCOC tem como objetivo principal utilizar os valores recuperados de atividades ilícitas, que somaram **R$ 16,4 bilhões entre 2024 e 2025**, para fortalecer o combate ao crime organizado.

Além da criação do fundo, o projeto prevê a implementação da Gratificação de Eficiência Institucional (GEI), que vincularia a valorização profissional ao sucesso na recuperação de ativos ilícitos. A ADPF já havia emitido uma carta aberta ao presidente Lula em janeiro, alertando sobre a sobrecarga de novas atribuições na PF sem a devida recomposição de recursos.

Cobrança por valorização e recursos

O presidente da ADPF, Edvandir Paiva, destacou a importância do FUNCOC para transmitir à sociedade a mensagem de que o produto do crime será revertido em ações de combate ao próprio crime. A categoria tem pressa em garantir a votação do projeto antes das restrições impostas pelo calendário eleitoral, argumentando que a medida é **essencial para a sustentabilidade da segurança pública no Brasil**.

A paralisação é vista como um último recurso para chamar a atenção do governo para as demandas da Polícia Federal, que busca garantir **investimentos e valorização** para continuar desempenhando suas funções de forma eficaz no combate ao crime organizado.

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