MPF abre investigação sobre deputada que usou “blackface” em protesto na Alesp contra Erika Hilton
A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP) está sob investigação do Ministério Público Federal (MPF) após realizar um ato de “blackface” durante uma sessão na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em 18 de março. O gesto, que consiste em pintar o rosto de preto, é considerado racista e foi realizado como protesto contra a eleição de Erika Hilton (PSOL-SP) para a Comissão das Mulheres.
Fabiana Bolsonaro justificou sua ação como um “experimento social”, questionando sua legitimidade como mulher branca em discutir as “dores” de mulheres negras. A deputada afirmou, do púlpito, que se maquiar como uma pessoa negra não a tornava negra nem a fazia conhecer as experiências vividas por pessoas pretas.
A denúncia, que aponta para possíveis crimes de racismo e transfobia, foi encaminhada ao MPF pela Bancada Feminista do PSOL. O caso foi remetido à Procuradoria Regional da República da 3ª Região para análise e investigação de crimes federais, visto que a deputada possui prerrogativa de foro. Conforme informação divulgada, o MPF determinou que o caso seja analisado por essa unidade especializada em crimes federais. A prática de “blackface” é historicamente associada à estigmatização de pessoas negras para entretenimento de brancos, especialmente no período pós-abolição da escravatura.
Pedido de Cassação e Defesa da Deputada
Além da esfera federal, um grupo de deputados estaduais ingressou com um processo no Conselho de Ética da Alesp solicitando a cassação do mandato de Fabiana Bolsonaro. Erika Hilton assumiu a presidência da Comissão da Mulher em 11 de março, após uma votação que exigiu dois turnos para atingir a maioria absoluta necessária. A deputada Fabiana Bolsonaro, em sua defesa nas redes sociais, negou ter cometido “blackface”. Ela argumentou que a analogia era clara e que, assim como ela não se tornava negra ao pintar a pele, pessoas que não nasceram mulheres não poderiam representar as “dores biológicas, psicológicas e históricas” de mulheres biológicas.
Contexto e Implicações do “Blackface”
O “blackface” tem origens no século XIX, como uma forma de entretenimento em que artistas brancos caricaturavam e ridicularizavam pessoas negras. Essa prática é amplamente condenada como uma manifestação de racismo, perpetuando estereótipos negativos e desumanizando a experiência negra. A ação de Fabiana Bolsonaro gerou forte repercussão e debate sobre a representatividade e o respeito no ambiente político.
A Comissão da Mulher e a Eleição de Erika Hilton
A eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão da Mulher na Alesp foi um marco, considerando sua trajetória como mulher trans. A resistência demonstrada por Fabiana Bolsonaro, através do ato de “blackface”, foi interpretada como uma tentativa de questionar a legitimidade de Hilton ocupar o espaço destinado à luta pelos direitos das mulheres. A deputada estadual utilizou a polêmica para levantar um debate sobre identidade de gênero e representatividade, mas a forma escolhida para o protesto gerou acusações de racismo e transfobia.
Próximos Passos da Investigação
Com a abertura da investigação pelo MPF, espera-se que sejam coletadas evidências e depoimentos para determinar a extensão das responsabilidades de Fabiana Bolsonaro. A análise do caso pela Procuradoria Regional da República da 3ª Região será crucial para definir se haverá denúncia formal e quais serão as consequências legais para a deputada. Paralelamente, o processo no Conselho de Ética da Alesp seguirá seu curso, podendo resultar na perda do mandato parlamentar.