Flávio Dino determina que deputados do PL prestem contas sobre emendas milionárias ligadas à produção de filme sobre Bolsonaro

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, solicitou que três deputados federais do Partido Liberal (PL) forneçam explicações detalhadas acerca do destino de R$ 2,6 milhões em emendas.

As verbas teriam sido direcionadas a uma ONG que possui ligações com a produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia que aborda a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão atende a um pedido da deputada Tabata Amaral (PSB-SP).

A investigação visa garantir a transparência dos recursos públicos e investigar possíveis irregularidades nos repasses, conforme determinam as balizas estabelecidas pelo STF. O caso levanta suspeitas de que verbas públicas possam ter sido desviadas para o financiamento de um projeto privado. Conforme informação divulgada pelo STF, a decisão foi tomada após um pedido da deputada Tabata Amaral (PSB-SP).

Deputados Mário Frias, Bia Kicis e Marcos Pollon são notificados

Na decisão, Dino determinou a notificação dos deputados Mário Frias (PL-SP), Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MS). Eles terão o prazo de cinco dias para apresentar suas manifestações sobre o caso. Além dos parlamentares, a Câmara dos Deputados também foi intimada a prestar esclarecimentos sobre a situação.

A representação apresentada pela deputada Tabata Amaral aponta que os deputados teriam destinado, por meio de emendas Pix em 2024, a quantia de R$ 2,6 milhões para a ONG Academia Nacional de Cultura (ANC). Esta entidade é presidida por uma sócia da produtora responsável pelo filme “Dark Horse”.

Suspeita de “ecossistema” para ocultar recursos públicos

A deputada do PSB argumenta que empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico da produtora do filme teriam prestado serviços de marketing eleitoral para os mesmos parlamentares que, simultaneamente, destinaram verbas para as entidades ligadas ao grupo. Essa coincidência levanta fortes suspeitas.

Tabata Amaral sustenta a existência de um “ecossistema” de entidades interconectadas. O objetivo, segundo ela, seria ocultar a rastreabilidade dos recursos públicos, desviando sua finalidade original para interesses privados.

Finalidade das verbas públicas sob escrutínio

A principal suspeita é que as verbas, originalmente destinadas a fins sociais e culturais, possam ter sido utilizadas para custear a produção cinematográfica privada “Dark Horse”. A cinebiografia foca na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Para a deputada Tabata Amaral, a maneira como os repasses foram feitos representa uma violação aos princípios da impessoalidade e moralidade administrativa, pilares fundamentais da gestão pública no Brasil.

A reportagem tenta contato com os deputados do PL citados na matéria para obter um posicionamento sobre as acusações, mas ainda não obteve retorno. O espaço permanece aberto para manifestações.

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