Justiça Eleitoral de São Paulo torna ex-vereador e mais três réus em processo que apura corrupção eleitoral e elo com facção criminosa
O ex-vereador Antonio Edwaldo Costa, conhecido como Dunga, e outras três pessoas foram tornados réus pela Justiça Eleitoral de São Paulo. O processo investiga crimes de corrupção eleitoral e suposta ligação com uma facção criminosa que atua no estado. Os acusados têm 10 dias para apresentar suas contestações após a citação oficial.
A denúncia, oferecida pelo Ministério Público Eleitoral, foi aceita pelo juiz substituto Rodrigo Marzola Colombini, da 1ª Zona do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP). As investigações apontam para a participação de Dunga na promoção e financiamento de uma organização criminosa conhecida como Esquina Maluca, grupo associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Conforme o MP, essa organização criminosa é apontada como responsável pelo tráfico de drogas em bairros de Araçatuba. Em troca de apoio eleitoral, o grupo criminoso teria recebido promessas e concessão de vantagens indevidas, incluindo intervenções administrativas e auxílio financeiro. Conforme informação divulgada pelo MP Eleitoral, tudo isso comprometeu a liberdade e a legitimidade do processo eleitoral.
Organização criminosa e vantagens indevidas
A investigação, conduzida em conjunto pelo MP Eleitoral e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), detalha que a estrutura ilícita era utilizada para mobilizar eleitores e captar votos. Isso ocorria especialmente entre moradores de áreas vulneráveis e indivíduos ligados ao crime organizado.
Ainda segundo o MP, em troca do apoio eleitoral, havia a promessa e a concessão de **vantagens indevidas**. Entre elas, estariam intervenções administrativas, auxílio financeiro, custeio de advogados para integrantes do grupo criminoso e facilitação de acesso a serviços públicos.
O ex-vereador Dunga chegou a ser preso em flagrante em setembro de 2024, durante a Operação Ligações Perigosas, por posse ilegal de arma de fogo. Ele foi liberado após o pagamento de fiança. Um óbito ocorreu em confronto com policiais durante a operação.
Defesa alega perseguição política
Procurado pela reportagem, Dunga negou integrar qualquer esquema criminoso. Ele afirmou que tudo se trata de **perseguição política infundada** e que ainda não foi notificado da decisão da Justiça Eleitoral. O ex-vereador também ressaltou que sua arma e seus documentos foram devolvidos após a operação.
Além de Dunga, tornaram-se réus um assessor político e um motorista. Segundo o MP, eles atuavam diretamente na articulação entre o núcleo político e os integrantes da organização criminosa, participando da captação ilícita de votos e da distribuição de vantagens.
Condenação anterior de um dos réus
Um dos réus no processo já teve seu envolvimento com a facção comprovado em outra ação. Em julho de 2025, ele e outras três pessoas foram condenados a penas somadas de 55 anos e quatro meses de prisão em regime fechado. As condenações foram pelos crimes de organização criminosa armada, atuação com tráfico de drogas e associação para o tráfico.