Flávio Dino critica “perda de equilíbrio” nas críticas ao Supremo Tribunal Federal
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, manifestou preocupação com a forma como as críticas à Corte têm sido feitas. Segundo ele, observa-se uma **”falta de moderação, prudência e cuidado”** nas avaliações dirigidas ao STF, uma postura que, em sua visão, demonstra um desequilíbrio na percepção do papel das instituições.
Para Dino, o Supremo **”acerta mais do que erra”**, e essa percepção parece estar se perdendo em meio a um debate público cada vez mais acirrado. A declaração foi feita durante a sessão da Primeira Turma, da qual o ministro preside, nesta terça-feira (10).
“Há uma espécie de perda de equilíbrio na aquilatação do papel de cada instituição, especialmente em relação ao Supremo, mas não só”, complementou o magistrado, indicando que a crítica excessiva pode afetar a estabilidade institucional.
Novas revelações e crise ética no STF
As falas de Dino ocorrem em um momento de **intensas polêmicas envolvendo ministros do STF**. Recentemente, surgiram informações sobre uma suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo o jornal O Globo, Vorcaro teria enviado uma mensagem a Moraes pouco antes de sua prisão, o que o ministro nega veementemente.
Outra crise já havia abalado a Corte devido à descoberta do resort Tayayá, empreendimento ligado à família do ministro Dias Toffoli. A situação se agravou com a revelação de relações societárias entre o hotel e o cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel. A Polícia Federal chegou a pedir o afastamento de Toffoli do caso Master, após encontrar mensagens entre ele e Vorcaro no celular do banqueiro.
Afastamento de Toffoli e proposta de código de ética
Diante da repercussão, o ministro Dias Toffoli reagiu às alegações, classificando o pedido de afastamento da PF como baseado em “ilações” e questionando a legitimidade do órgão para tal solicitação. Em meio à crise, o próprio Toffoli pediu para se afastar do processo, que agora é conduzido pelo ministro André Mendonça. Mendonça foi o responsável pela ordem de prisão e posterior transferência de Vorcaro para a Penitenciária Federal de Brasília.
As sucessivas polêmicas levaram o presidente do STF, ministro Edson Fachin, a propor a criação de um **código de ética** para a Corte. O objetivo é estabelecer diretrizes claras sobre a conduta dos magistrados e promover um maior distanciamento entre juízes e as partes envolvidas em processos. O texto será relatado pela ministra Cármen Lúcia, e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também participa das discussões, defendendo, inclusive, o fim do inquérito das fake news.
Debate sobre moderação e o papel do Supremo
A defesa de Flávio Dino sobre a atuação do STF e o alerta quanto à “falta de moderação” nas críticas refletem um debate mais amplo sobre os limites da liberdade de expressão e a importância do respeito às instituições. A busca por um código de ética, impulsionada pelas recentes crises, indica um esforço interno para **restaurar a confiança pública** e garantir a imparcialidade na condução dos processos judiciais.