Gilmar Mendes usa Bíblia contra críticas de governadores ao STF, Zema é alvo direto

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, reagiu de forma contundente às críticas feitas por governadores à atuação da Corte, citando nominalmente o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Em sessão plenária, Mendes utilizou uma passagem bíblica para expressar seu descontentamento com as declarações.

A fala do ministro ocorreu após Zema participar de manifestações em São Paulo, onde criticou o que chamou de “farra dos intocáveis” em Brasília e questionou a influência política de membros do STF. O governador de Minas Gerais também levantou dúvidas sobre investigações relacionadas ao Banco Master.

Mendes rebateu as críticas, afirmando que é “chocante ver o governador de Minas Gerais que, nos seus bem feitos ou mal feitos, levou o estado a uma debacle econômica, mas está sobrevivendo graças a uma liminar dada por este tribunal, atacar o tribunal”. A declaração foi divulgada pelo portal G1.

Zema e a “farra dos intocáveis”

As críticas de Romeu Zema ao STF ganharam destaque após sua participação no movimento “Acorda Brasil”, na Avenida Paulista. Sem citar nomes, o governador declarou que “ninguém no Brasil é intocável” e que há pessoas em Brasília que se consideram acima das leis. Em vídeos anteriores, Zema já havia questionado a pressão para paralisar investigações, sugerindo que o “buraco é mais embaixo”.

Gilmar Mendes recorre à Bíblia

Para ilustrar sua opinião sobre as críticas direcionadas ao Supremo, Gilmar Mendes citou um trecho bíblico atribuído a Jesus Cristo durante a crucificação: “Pai, eles não sabem o que fazem”. A declaração foi feita em resposta às falas de Zema e outros governadores que têm atacado publicamente o Judiciário.

Dívida de Minas e a contradição apontada por Mendes

O ministro do STF argumentou que a situação econômica de Minas Gerais, que acumula uma dívida estimada em cerca de R$ 165 bilhões com a União, torna ainda mais contraditória a postura do governador em criticar o tribunal. Segundo Mendes, o estado tem se beneficiado de liminares concedidas pelo STF para aliviar sua situação financeira, inclusive em disputas fiscais e discussões sobre a dívida bilionária.

Para o ministro, é incoerente que governadores busquem o Supremo para resolver questões institucionais e, ao mesmo tempo, critiquem a Corte em público. Ele destacou que o estado mineiro recorre frequentemente ao STF para obter decisões favoráveis em questões fiscais e de recuperação fiscal.

Partido Novo reage e acusa intimidação

A declaração de Gilmar Mendes provocou uma forte reação do Partido Novo, legenda de Romeu Zema. Em nota divulgada nas redes sociais, o partido acusou o ministro de tentar “intimidar críticos do STF” e classificou a fala como uma “espécie de ameaça”. O Novo também ressaltou que a liminar que suspendeu pagamentos da dívida mineira foi concedida em 2018, antes da gestão de Zema.

A legenda avalia que Mendes insinuou que o benefício judicial poderia ser revisto caso o governador de Minas Gerais continue com suas críticas, o que elevou o tom do embate político entre o governador e membros do Supremo Tribunal Federal.

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