Nova rodada de negociações entre EUA, Ucrânia e Rússia em Genebra não chega a um consenso para o fim da guerra.

Uma nova rodada de negociações trilaterais entre Estados Unidos, Ucrânia e Rússia, mediadas por negociadores americanos em Genebra, na Suíça, chegou ao fim nesta quarta-feira (18) sem um acordo para encerrar o conflito entre Kiev e Moscou. O impasse territorial, um dos pontos mais sensíveis, continua a ser o principal obstáculo para a paz.

As conversas, que se estenderam por quase duas horas nesta quarta e cerca de seis horas na terça-feira, foram descritas por ambas as partes como “difíceis”. Apesar da falta de um acordo definitivo, há expectativa de novos encontros em breve, conforme declarado pelos negociadores. A guerra entre os dois países europeus está próxima de completar quatro anos.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, expressou que houve progresso, mas que as posições ainda divergem significativamente, especialmente em relação ao destino de territórios no leste da Ucrânia e à segurança da usina nuclear de Zaporizhzhia. Conforme informação divulgada pelos envolvidos nas tratativas, Zelensky acusou a Rússia de arrastar as negociações, sugerindo que um acordo para finalizar a guerra poderia ter sido alcançado antes.

Impasse territorial e Zaporizhzhia dificultam acordo

O principal ponto de discórdia entre a Ucrânia e a Rússia reside na questão territorial. Moscou insiste na cessão da região de Donbas, enquanto Kiev se recusa terminantemente a entregar as áreas sob seu controle no leste do país. A segurança da usina nuclear de Zaporizhzhia também figura como um ponto de grande preocupação e divergência entre as partes.

“Podemos ver que houve progresso, mas, por enquanto, as posições divergem porque as negociações foram difíceis”, afirmou Zelensky a repórteres após o encontro. Ele ressaltou, contudo, que há concordância em “quase tudo” no âmbito militar, o que sugere um avanço em aspectos específicos do conflito.

Rússia descreve negociações como “difíceis, mas profissionais”

O chefe da delegação russa, Vladimir Medinski, descreveu as negociações como “difíceis, mas profissionais”. Ele confirmou à imprensa estatal em Genebra que a próxima reunião ocorrerá “em um futuro próximo”, sem fornecer mais detalhes sobre os próximos passos ou o conteúdo das discussões.

Rustem Umerov, chefe da delegação ucraniana, ecoou o sentimento de progresso, mas manteve o sigilo sobre os detalhes específicos das conversas. Essa postura indica a sensibilidade dos temas abordados e a necessidade de cautela na divulgação de informações.

Zelensky pede participação europeia e acusa Rússia de protelar

Antes do encerramento das reuniões em Genebra, o presidente Zelensky fez um apelo pela participação europeia nas negociações, considerando-a “fundamentalmente necessária” para o avanço em direção à paz. Paralelamente, ele acusou a Rússia de “arrastar as tratativas”, indicando frustração com o ritmo das negociações e a falta de avanços concretos.

Steve Witkoff, enviado especial do governo Trump para a resolução do conflito, comentou sobre “progresso significante” nas negociações, embora sem detalhar os avanços. Sua declaração ocorreu na quarta-feira, antes do término da reunião com as delegações ucraniana e russa, sinalizando diferentes perspectivas sobre o andamento das conversas.

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