Ibaneis Rocha recusa convite do Senado para falar sobre operações do BRB e Banco Master

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), optou por não comparecer a uma audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. O convite visava esclarecimentos sobre as complexas operações envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.

Em sua justificativa, apresentada nesta quinta-feira (12), Ibaneis declarou não possuir o “conhecimento técnico” necessário para abordar o sistema financeiro e as transações específicas entre as instituições. Ele também afirmou não ter participado diretamente das operações, o que, segundo ele, impossibilitaria sua contribuição para o debate.

A recusa do governador, contudo, levanta questionamentos e abre caminho para que outras figuras sejam chamadas a prestar esclarecimentos. A CAE, presidida pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), possui um grupo de trabalho dedicado a investigar o caso Master, e a declaração de Ibaneis pode direcionar o foco para a presidência do BRB.

Presidente do BRB pode ser o próximo a ser convocado

A menção de Ibaneis Rocha à sua suposta falta de conhecimento técnico sobre o sistema financeiro e as operações específicas pode ser interpretada como uma estratégia para desviar o foco de sua participação direta. Especialistas apontam que essa justificativa pode abrir espaço para a convocação ou convite do presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, para prestar depoimento à comissão.

O caso Master tem ganhado notoriedade devido às investigações da Polícia Federal (PF) sobre a compra, pelo BRB, de R$ 12,2 bilhões em cédulas de crédito que, segundo apurações preliminares, não possuíam valor real. Esse envolvimento gerou um **prejuízo considerável** para a estatal.

Medidas de socorro ao BRB e a relação com Daniel Vorcaro

O impacto financeiro negativo causado pelo envolvimento do BRB com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, levou os deputados distritais a aprovarem medidas emergenciais para socorrer a instituição financeira. Entre as ações estão o uso de imóveis públicos em investimentos, aportes diretos do Executivo e a contratação de um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

A situação se torna ainda mais complexa com a descoberta de que Ibaneis Rocha figura como um dos contatos encontrados no celular de Daniel Vorcaro. Essa conexão levanta suspeitas sobre o nível de proximidade e influência entre o governador e o empresário.

Resistência em criar CPIs e o papel do STF

Além do contato com Vorcaro, o celular do empresário também revelou conexões com figuras proeminentes no cenário político nacional, como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). Ambos têm demonstrado **resistência em pautar requerimentos** para a instauração de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e Comissões Parlamentares Mistas de Inquérito (CPMIs) destinadas a investigar as atividades do Banco Master.

Essa resistência motivou o deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) a acionar o Supremo Tribunal Federal (STF), buscando obrigar Arthur Lira a pautar a CPI do Master. No entanto, o caso foi sorteado para o ministro Dias Toffoli, que posteriormente devolveu o inquérito, alegando falta de provas de omissão por parte do presidente da Câmara. A relatoria passou, então, para Cristiano Zanin, ex-advogado do presidente Lula.

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