Jorge Messias no STF: por que a indicação de Lula está travada e quais os obstáculos no Senado?
A nomeação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) se transformou em um dos maiores entraves políticos para o governo Lula em Brasília. Com mais de três meses desde o anúncio, o Planalto ainda não enviou formalmente a mensagem ao Senado, reflexo da dificuldade em garantir votos suficientes para a aprovação.
A demora é a mais longa para uma indicação de ministro no atual mandato presidencial, evidenciando a **falta de articulação do governo** e uma dependência crescente do senador Davi Alcolumbre, presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
A incerteza sobre a aprovação em plenário, que exige um mínimo de 41 votos, é o principal motivo para o atraso. Conforme apurado pela Gazeta do Povo, Jorge Messias conta atualmente com apenas 25 apoios declarados, um número consideravelmente inferior ao necessário.
A contagem de votos e a dificuldade na CCJ
No Senado, o cenário para Jorge Messias é desafiador. Apenas 25 senadores declararam apoio à sua indicação, bem abaixo dos 41 votos necessários para a aprovação em plenário. Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde a indicação é inicialmente avaliada, a situação também é delicada.
Atualmente, Messias possui 10 votos na CCJ, de um total de 14 exigidos para que o nome siga adiante. Muitos parlamentares permanecem indecisos ou manifestam oposição direta ao atual Advogado-Geral da União, complicando ainda mais o caminho para a sabatina.
Davi Alcolumbre: o poder de articulação e o ‘veto informal’
O papel do senador Davi Alcolumbre, presidente da CCJ, é crucial neste impasse. Ele detém o controle sobre a pauta e o ritmo das votações na comissão. Há um **desgaste na relação entre Alcolumbre e o governo**, uma vez que o senador teria preferência pela indicação de Rodrigo Pacheco.
Sem uma maioria sólida consolidada, o governo Lula se vê refém da vontade política de Alcolumbre para destravar a sabatina de Jorge Messias. Essa dinâmica confere ao senador um **poder de barganha significativo**, funcionando como um ‘veto informal’ sobre o tempo da indicação.
Eleições municipais e o adiamento estratégico
O calendário eleitoral também adiciona uma camada de complexidade ao processo. Tanto a oposição quanto parte da base aliada demonstram preferência por adiar a decisão sobre Jorge Messias para após as eleições municipais de outubro. Em ano eleitoral, senadores buscam evitar votações polêmicas que possam gerar desgaste político junto aos seus eleitores.
Adicionalmente, o **funcionamento híbrido do Senado**, com frequentes sessões remotas, dificulta a articulação ‘olho no olho’ que seria essencial para garantir uma vitória apertada em uma votação tão sensível e disputada.
O alerta da recondução de Paulo Gonet
A votação para a recondução de Paulo Gonet ao cargo de Procurador-Geral da República serviu como um **sinal de alerta para o governo**. Em 2023, Gonet obteve 65 votos favoráveis, mas em 2025, esse número caiu drasticamente para 45.
Essa redução expressiva indica uma **resistência crescente do Senado** em aprovar nomes indicados pelo Poder Executivo. O episódio força o governo a negociar cada voto individualmente, em um processo conhecido como ‘mercado do varejo político’, o que exige um esforço contínuo e detalhado de articulação para garantir a aprovação de indicações futuras, como a de Jorge Messias ao STF.