Cláudio Castro se torna inelegível até 2030, impactando planos do PL para o Senado e a oposição ao STF.
O cenário político do Rio de Janeiro sofreu uma reviravolta com a declaração de inelegibilidade de Cláudio Castro até 2030 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A decisão, anunciada na última terça-feira, retira do Partido Liberal (PL) um candidato forte para o Senado e enfraquece a estratégia do partido de aumentar sua bancada para fiscalizar o Supremo Tribunal Federal (STF).
A inelegibilidade de Castro, que negou as irregularidades e pretende recorrer da decisão, abre um vácuo na disputa pelas duas vagas do Rio no Senado. Sem seu principal nome, o PL e seus aliados buscam agora alternativas para manter a representatividade e avançar na pauta de equilíbrio entre os poderes, que inclui a possibilidade de impeachment de ministros do STF.
A decisão do TSE, que impediu Cláudio Castro de concorrer, levanta novas possibilidades para outros pré-candidatos. Marcelo Crivella (Republicanos) e o delegado Felipe Curi são nomes que ganham força, embora ambos ainda evitem compromissos firmes sobre a oposição ao Supremo. Acompanhe os desdobramentos e as novas movimentações políticas, conforme divulgado pelo conteúdo obtido.
PL busca redefinir estratégia sem Cláudio Castro e mira maioria no Senado
Uma das principais estratégias eleitorais do PL para as eleições deste ano é formar uma maioria no Senado com o objetivo de conter o que o partido considera decisões abusivas do STF e restaurar o equilíbrio entre os poderes. O Senado possui a prerrogativa de fiscalizar o Supremo e, se necessário, decidir sobre o impeachment de seus ministros.
Cláudio Castro, que foi declarado inelegível até 2030 pelo TSE, nega as acusações de abuso de poder político e econômico, e captação ilícita de recursos. Ele já anunciou que irá recorrer da decisão, primeiramente ao próprio TSE, por meio de embargos de declaração, e posteriormente ao STF. A possibilidade de candidatura sub judice, onde o candidato pode fazer campanha mas corre o risco de não assumir, foi ventilada.
No entanto, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, indicou que o partido não pretende correr riscos e que a candidatura de Castro só se concretizará se a decisão do TSE for revertida. Apesar disso, o partido divulgou comunicados de apoio ao ex-governador após a declaração de inelegibilidade.
Novos nomes despontam para o Senado: Crivella e Curi como alternativas
Sem Cláudio Castro na disputa, o PL e a base de apoio de Flávio Bolsonaro correm o risco de perder as duas vagas do Rio em disputa este ano. O outro candidato apoiado por Flávio Bolsonaro é Márcio Canella (União Brasil), atual prefeito de Belford Roxo. Em pesquisa do Instituto Real Time Big Data divulgada em 11 de março, Canella obteve entre 5% e 9% das intenções de voto, enquanto Castro registrou entre 11% e 36%, dependendo do cenário.
Para substituir Castro, o nome mais cogitado é o do delegado Felipe Curi, ex-secretário estadual de Polícia Civil, que ganhou notoriedade após uma operação policial no Complexo do Alemão. Curi, que ainda não se filiou a partido, cogitava se juntar ao PP, mas agora avalia a filiação ao PL para disputar o Senado. Ele ainda não foi testado em pesquisas eleitorais para este cargo.
Outro nome que surge com força é o de Marcelo Crivella (Republicanos), aliado da família Bolsonaro, mas que concorreria com maior autonomia. Na mesma pesquisa do Real Time Big Data, Crivella alcançou 15% das intenções de voto em todos os cenários testados. Benedita da Silva (PT), com intenções de voto variando entre 9% e 16%, também é uma forte concorrente.
Análise de especialistas e o futuro da oposição ao STF no Senado
A professora de Ciência Política da UFRJ, Mayra Goulart, aponta que, enquanto Castro era um aliado incondicional de Bolsonaro, Crivella possui uma base eleitoral própria e poderia atuar com maior independência em relação ao PL. Sobre Curi, ela o descreve como um policial a ser construído, sem base eleitoral ou conexão com as elites políticas.
Goulart ressalta a necessidade de observar como Crivella e Curi reagirão à estratégia do PL de se opor a alguns ministros do STF.