Irã oferece vantagens econômicas aos EUA em troca de acordo nuclear, com foco em petróleo e gás
O Irã confirmou a realização de uma nova rodada de negociações nucleares com os Estados Unidos em Genebra, na próxima terça-feira. A expectativa é de avanços significativos, especialmente após o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Majid Takht-Ravanchi, declarar que “a bola está no campo dos EUA”.
Takht-Ravanchi enfatizou que um acordo só será possível se os americanos demonstrarem sinceridade e se concentrarem na questão nuclear. O Irã reiterou sua disposição em “examinar compromissos” sobre seu programa nuclear, desde que Washington também inicie conversas para a suspensão das sanções impostas ao país.
Essa abertura para negociações econômicas foi detalhada pelo vice-ministro iraniano para Diplomacia, Hamid Ghanbari. Segundo ele, para garantir a sustentabilidade de um acordo, os EUA devem se beneficiar de setores econômicos iranianos de alto rendimento e rápido retorno. As informações foram divulgadas pela agência “Fars”, conforme relatado nas fontes.
Benefícios Econômicos em Pauta: Petróleo, Gás e Investimentos
Ghanbari explicou que as negociações podem incluir interesses comuns em áreas como petróleo e gás, investimentos em mineração e até mesmo a aquisição de aeronaves americanas pelo Irã. Além disso, os ativos iranianos bloqueados no exterior também seriam parte do acordo, com a condição de que sua liberação seja “real e utilizável, não meramente simbólica ou temporária”.
A proposta iraniana visa criar um cenário onde ambos os países se beneficiem economicamente, tornando o acordo nuclear mais atraente e estável. Essa estratégia de “benefícios mútuos” busca superar impasses e incentivar um compromisso duradouro entre Teerã e Washington.
Enriquecimento de Urânio e a “Linha Vermelha” Iraniana
Apesar da abertura para negociações econômicas, o Irã mantém firme sua posição em relação ao enriquecimento de urânio. O país considera a exigência de “enriquecimento zero” como uma “linha vermelha” e uma violação de seus direitos sob o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).
Questionado sobre a possibilidade de retirar do país mais de 400 quilos de urânio enriquecido a 60%, o diplomata iraniano afirmou que “ainda é cedo para dizer o que acontecerá”. Anteriormente, o chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Mohammad Eslami, havia indicado que Teerã poderia diluir esse material se os EUA suspendessem todas as sanções.
Programa de Mísseis Balísticos: Defesa Inegociável
O Irã também reiterou sua forte oposição em dialogar sobre seu programa de mísseis balísticos. Takht Ravanchi justificou essa posição como parte de sua “capacidade defensiva”, mencionando que os mísseis foram cruciais durante ataques anteriores.
Essa recusa em discutir o programa de mísseis é um dos pontos de divergência com os Estados Unidos, que desejam frear o desenvolvimento e o apoio iraniano a grupos regionais como o Hezbollah e o Hamas. No entanto, o Irã rejeita veementemente qualquer interferência nessa área.
Contexto das Negociações e Pressão Americana
As negociações ocorrem em um contexto de tensão. Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mencionou a “mudança de regime no Irã” como algo positivo e anunciou o envio de um segundo porta-aviões ao Oriente Médio como forma de pressão. Trump, contudo, tem afirmado preferir um acordo por meio da diplomacia, embora não descarte ações militares.
As conversas indiretas entre Irã e EUA foram retomadas em 6 de fevereiro, sob mediação de Omã, após um período de conflito. Ambas as partes classificaram o encontro como “bom”, mas as diferenças em torno do programa de mísseis e do apoio a grupos regionais permanecem como obstáculos significativos para um acordo abrangente.