Corte italiana aprova extradição de Carla Zambelli, abrindo caminho para cumprimento de pena no Brasil
A Corte de Apelação de Roma tomou uma decisão crucial nesta quinta-feira (26), aprovando a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL) para o Brasil. A confirmação veio da própria defesa da ex-parlamentar, que já se movimenta para reverter a decisão.
O ofício com a aprovação da extradição foi enviado ao Ministério de Relações Exteriores do Brasil. A notícia foi divulgada inicialmente pela CNN Brasil e confirmada por fontes da defesa à Gazeta do Povo, marcando um novo capítulo no caso que envolve acusações de pagamento a um hacker para invadir sistemas do Judiciário.
Agora, a estratégia da defesa de Carla Zambelli se concentra em dois recursos a serem apresentados à Corte de Cassaçã, o mais alto tribunal italiano. O primeiro visa contestar a extradição em si, enquanto o segundo questiona diretamente a imparcialidade dos juízes que proferiram a decisão. O prazo para essas novas ações é de 15 dias.
Defesa de Zambelli alega perseguição política e busca reverter decisão na Itália
Durante o julgamento na Itália, o governo brasileiro foi encarregado de apresentar garantias de que Carla Zambelli não sofreria violações de direitos humanos ou más condições no sistema penitenciário brasileiro. Documentos detalhando o ambiente e o funcionamento de presídios, como a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como “Colmeia”, foram enviados para comprovar a segurança.
Em contrapartida, a defesa de Zambelli tentou demonstrar que o caso se trata de uma perseguição política, orquestrada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O argumento central é que a condenação da ex-deputada não foi justa, em função dessa suposta perseguição.
A conclusão do julgamento na Itália ocorreu há duas semanas, com uma expectativa inicial de sentença em cinco dias. A demora gerou especulações entre os advogados de que o pedido de extradição poderia ser negado, o que não se concretizou.
Entenda o caso: Dez anos de prisão e a acusação de contratar hacker
Carla Zambelli foi condenada a dez anos de prisão pelo STF. A acusação central é de que ela teria pago a Walter Delgatti Neto, conhecido como “Hacker de Araraquara”, para invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A investigação aponta que o objetivo seria obter informações sigilosas.
A extradição aprovada agora se refere a esta condenação específica. Caso os recursos da defesa não sejam aceitos, Zambelli deverá cumprir a pena no Brasil, possivelmente na Penitenciária Feminina do Distrito Federal.
Itália ainda analisará extradição de outro brasileiro ligado a investigações de Moraes
Este não é o único pedido de extradição que a Itália analisará a pedido de Alexandre de Moraes. O perito Eduardo Tagliaferro, também acusado no Brasil de violação de sigilo funcional, está sob análise. Tagliaferro ganhou notoriedade após divulgar mensagens de um grupo de servidores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
As mensagens em questão detalhavam uma rotina de investigação a internautas, levantando suspeitas sobre a atuação de agentes públicos. Alexandre de Moraes, por sua vez, **nega qualquer irregularidade** em suas ações e nas investigações conduzidas sob sua supervisão.
A decisão sobre a extradição de Carla Zambelli representa um avanço significativo nas tratativas entre Brasil e Itália sobre casos judiciais de brasileiros com pendências em solo nacional. A defesa agora deposita suas esperanças nos recursos que serão apresentados nos próximos 15 dias.