Líder do Irã, Ali Khamenei, lança duras advertências aos Estados Unidos, citando a capacidade iraniana de afundar porta-aviões e reforçando a intransigência sobre o programa de mísseis, em um cenário de negociações tensas e escalada militar na região.

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, enviou um recado contundente aos Estados Unidos, alertando para que não depositem excessiva confiança em seu poderio militar no Golfo Pérsico. Segundo Khamenei, mesmo o “exército mais forte do mundo pode, às vezes, receber um golpe tão forte que não consiga se levantar”, uma declaração que intensifica o já delicado clima diplomático.

Em um discurso direto, o aiatolá enfatizou o perigo potencial de suas próprias armas, afirmando que “um porta-aviões é certamente uma máquina perigosa, mas mais perigosa que o porta-aviões é aquela arma que pode enviá-lo ao fundo do mar”. Essas falas ocorrem em paralelo a negociações de alto escalão entre Irã e EUA, mediadas por Omã em Genebra.

A escalada retórica de Khamenei coincide com o aumento da presença militar americana no Oriente Médio e as ameaças diretas do presidente Donald Trump ao regime iraniano. A chegada do porta-aviões USS Abraham Lincoln ao Mar Arábico e a iminente vinda do USS Gerald Ford, o maior do mundo, adicionam camadas de preocupação ao já volátil tabuleiro geopolítico.

Programa de Mísseis: Ponto de Não Retorno nas Negociações

Donald Trump tem insistido veementemente para que Teerã abandone seus programas nuclear e de mísseis, além de cessar o apoio a grupos armados na região. No entanto, o regime iraniano, sob a liderança de Khamenei, demonstra intransigência quanto ao programa de mísseis, declarando que este “não tem nada a ver com os EUA”. A única área em discussão, segundo o aiatolá, seria a questão nuclear.

Aumentando ainda mais a tensão, Khamenei anunciou a intenção de fechar parcialmente o Estreito de Ormuz, uma artéria vital para o escoamento do petróleo do Oriente Médio. Essa medida representa um desafio direto aos interesses globais e à segurança energética internacional.

Khamenei Desafia Trump e Negociações em Genebra

O líder iraniano também fez referência às declarações de Trump sobre a longevidade da República Islâmica, afirmando: “O presidente dos Estados Unidos disse que se passaram 47 anos e ainda não conseguiram destruir a República Islâmica. Esta é uma boa confissão. Eu digo: você também não será capaz de fazê-lo”. Khamenei criticou a postura americana de tentar determinar o resultado de negociações futuras, especialmente sobre o programa nuclear, classificando-a como “um ato incorreto e estúpido”.

Enquanto Khamenei discursava, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, participava de encontros indiretos com a delegação americana em Genebra, que incluía Steve Witkoff e Jared Kushner. Apesar de terem acordado princípios gerais para negociação, Araghchi ressaltou que ainda há um longo caminho a percorrer e que um acordo rápido é improvável.

Contexto das Negociações e o Futuro da Segurança Regional

Este é o segundo encontro entre Teerã e Washington desde a retomada das negociações nucleares em 6 de fevereiro, em Mascate, Omã. A última rodada de conversas ocorreu após um período de alta tensão entre Irã e Israel em junho do ano passado. A complexidade das negociações e as declarações inflamadas de Khamenei indicam que um acordo de curto prazo está longe de ser uma realidade, mantendo a região em estado de alerta.

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