Lula critica lei que pode beneficiar Bolsonaro e compara ex-presidente a “cachorro louco”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez declarações contundentes nesta sexta-feira (6), comparando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a um “cachorro louco”. Lula afirmou que a soltura de Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado, seria um ato de “desmoralização” para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Em entrevista à TV Aratu, da Bahia, o chefe do Executivo ressaltou os riscos de liberar alguém que, segundo ele, tentou destruir a democracia. “Se você tiver um cachorro louco preso e soltar, ele vai ficar mais manso? Ele vai morder alguém”, questionou Lula, referindo-se a Bolsonaro.

O presidente também mencionou que Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão e que havia um plano para matar figuras como o próprio Lula, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes. As declarações ocorrem em meio à discussão sobre um projeto de lei que pode reduzir as penas de condenados pelo 8 de janeiro de 2023, beneficiando potencialmente o ex-presidente.

Lula veta projeto que diminui penas e defende manutenção da prisão de Bolsonaro

O projeto de lei da dosimetria, aprovado no final do ano passado, propõe a redução das penas para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Lula vetou a proposta durante um evento que marcou os três anos da invasão e depredação das sedes dos Três Poderes.

“Você acaba de condenar e, no dia seguinte, alguém aprova uma lei para liberar os caras, para diminuir as penas?”, questionou o petista, demonstrando sua insatisfação com a medida. Ele reafirmou seu compromisso ao vetar o projeto, pois discorda da ideia de reduzir sentenças para crimes contra a democracia.

Lula argumentou que a soltura de Bolsonaro poderia criar um precedente perigoso e desmoralizar a seriedade das decisões tomadas pelo STF. “Um belo dia pode ter uma anistia para ele, como teve depois de 1964, 15 anos depois. Mas não dá para você brincar de fazer julgamento. Se você liberta ele, você desmoraliza a seriedade da Suprema Corte que o condenou”, declarou.

Haddad acusa governo Bolsonaro de “estupro das contas públicas”

Em paralelo às críticas de Lula, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também atacou a gestão anterior. Durante um evento de 46 anos do PT em Salvador (BA), Haddad descreveu as ações fiscais do governo Bolsonaro em 2022 como um “estupro das contas públicas”.

Haddad apontou que o governo anterior realizou uma “maquiagem contábil” e um “estupro das contas públicas” em 2022, chamando a situação de “alucinada”. Ele criticou a aprovação da PEC dos Precatórios em 2021, que adiou o pagamento dessas dívidas judiciais.

O ministro da Fazenda rebateu a narrativa da oposição de que o governo Lula iniciou uma fase de “enormes déficits primários”. Segundo Haddad, o superávit primário de R$ 54,1 bilhões em 2022, divulgado pelo governo Bolsonaro, foi artificial. O governo Lula, por sua vez, encerrou 2023 com um déficit de R$ 230,5 bilhões, sendo R$ 92,4 bilhões destinados ao pagamento de precatórios de anos anteriores.

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