Técnica de enfermagem, Patrícia Melo da Silva, 53, morre em acidente de moto; filha de capitão da PM é apontada como motorista de caminhonete
A técnica de enfermagem Patrícia Melo da Silva, de 53 anos, perdeu a vida em um trágico acidente na Avenida Ville Roy, em Boa Vista, no dia 4 de fevereiro. Ela estava na garupa de uma motocicleta que foi atingida por uma caminhonete. A condutora da caminhonete, identificada como Amanda Kathryn Monteiro de Souza, de 19 anos, é estudante e, segundo relatos, filha de um capitão da Polícia Militar.
Patrícia era mãe de quatro filhos adultos e avó de três netos. Com uma carreira de 18 anos na área da saúde, ela dedicou os últimos nove anos a trabalhar na Maternidade Nossa Senhora de Nazareth, onde era conhecida por sua dedicação e carinho. A notícia de sua morte gerou comoção entre colegas e familiares, que a descrevem como uma profissional exemplar e uma pessoa de fé e generosidade.
A família de Patrícia expressou a dor da perda, mas também a gratidão pela existência dela. “Entre colegas e pacientes, era reconhecida pela excelência e pela doçura no trato com os recém-nascidos e com os companheiros de trabalho. A saudade é profunda, mas a gratidão por sua existência é eterna”, declararam os filhos em nota. Conforme informação divulgada pela família, a técnica de enfermagem deixou um legado marcado pela fé, generosidade e dedicação incondicional à sua profissão e entes queridos.
Uma vida dedicada à enfermagem e à família
Natural de Belém, no Pará, Patrícia Melo da Silva construiu uma sólida carreira como técnica de enfermagem ao longo de 18 anos. Antes de ingressar no serviço público estadual em 2017, ela atuou em dois hospitais particulares da sua cidade natal. A dedicação à profissão era notável, assim como seu empenho em ver seus filhos alcançarem o sucesso acadêmico e profissional. Agnus, Ananda, Aline e Aarão, filhos de Patrícia, formaram-se em universidades federais e hoje exercem suas respectivas profissões.
Aline, servidora pública, relatou a profunda saudade que sente da mãe, destacando o acolhimento que ela oferecia. “Minha mãe era muito acolhedora. Então, toda vez que a gente chegava na casa dela, ela reunia a gente na mesa, servia alguma coisa, conversava”, contou a filha. Agnus, que mora em Manaus, no Amazonas, revelou que havia conversado com a mãe poucas horas antes do acidente sobre a possibilidade de se mudar para Boa Vista para morar com ela, e que a perda repentina tem sido extremamente difícil.
Suspeitas sobre atendimento policial no local do acidente
O acidente, que resultou na morte de Patrícia Melo da Silva, ocorreu no dia 4 de fevereiro. Segundo depoimentos de testemunhas, a motorista da caminhonete, Amanda Kathryn Monteiro de Souza, ao ser abordada pelos policiais militares, teria afirmado ser “filha de capitão da polícia”. Essa declaração, segundo as testemunhas, teria influenciado a conduta da equipe policial no local.
Relatos indicam que, após a fala de Amanda, a postura dos policiais mudou. Uma testemunha afirmou que um dos policiais virou de costas e começou a mexer no celular, e que Amanda chegou a fazer uma videochamada para uma tia no local do acidente. Durante a ligação, Amanda teria mencionado que havia consumido bebida alcoólica, mas que foi “cedo”.
Perícia não foi acionada e teste do bafômetro não realizado
Apesar da suspeita de que a motorista pudesse ter ingerido álcool, o teste do bafômetro não foi realizado no momento. No boletim de ocorrência, a guarnição registrou que a perícia não foi acionada porque os veículos já haviam sido removidos da via. Um dos policiais envolvidos no atendimento da ocorrência, em depoimento, considerou que “não ser necessário” acionar a perícia no local. A família de Patrícia Melo da Silva busca por justiça e clareza sobre os fatos que cercam o trágico ocorrido.