Moraes mantém prisão de desembargador investigado por vazar operações contra o Comando Vermelho
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, decidiu nesta segunda-feira (16) pela manutenção da prisão preventiva do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto. Ele é suspeito de ter vazado informações sigilosas sobre operações policiais direcionadas a membros do Comando Vermelho, uma das maiores facções criminosas do país.
A prisão do magistrado ocorreu em dezembro de 2025 e, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), as ações do desembargador teriam prejudicado investigações importantes. A decisão de Moraes ressalta a gravidade das acusações e a necessidade de manter o desembargador detido para garantir o andamento do processo.
Além da prisão de Júdice Neto, o ministro também manteve medidas cautelares contra outras figuras políticas. O deputado estadual licenciado e ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União-RJ), e o ex-deputado estadual TH Joias, estão entre os alvos. Conforme informação divulgada pelo STF, a Polícia Federal (PF) notificará o atual presidente da Alerj, Guilherme Delaroli (PL), sobre os desdobramentos da investigação.
Desdobramentos da investigação e acusações
O processo ainda se encontra em fase de investigações. As defesas dos envolvidos terão um prazo de 15 dias para apresentar suas contestações, antes que o caso siga para julgamento e se decida se os acusados se tornarão réus. O levantamento do sigilo dos autos permite agora que os advogados tenham acesso às provas coletadas pela Polícia Federal.
As acusações se estendem a outros indivíduos, incluindo a esposa de TH Joias, Jéssica de Oliveira Santos, e o assessor Thárcio Nascimento Salgado. Júdice Neto foi indiciado especificamente por violação de sigilo funcional, enquanto TH Joias, Jéssica e Thárcio respondem por obstrução de investigação de organização criminosa. Thárcio Nascimento Salgado também enfrentará acusações de favorecimento pessoal.
Justificativa para a prisão e medidas cautelares
Alexandre de Moraes justificou a manutenção da prisão de Macário Ramos Júdice Neto como uma medida necessária “diante das circunstâncias do caso concreto”. A decisão reforça a seriedade com que o STF trata casos de vazamento de informações em operações de combate ao crime organizado, especialmente quando envolvendo agentes públicos.
A investigação busca esclarecer a extensão do vazamento de informações e o possível envolvimento de outros indivíduos no esquema. A colaboração de figuras políticas e do judiciário em atividades ilícitas, como o vazamento de informações de operações contra facções criminosas, tem sido um foco constante das autoridades.
Posicionamento das defesas e próximos passos
A reportagem entrou em contato com as defesas de Rodrigo Bacellar e Macário Ramos Júdice Neto, que tiveram espaço aberto para manifestação. Até o momento, não houve contato com a defesa de TH Joias. A expectativa agora é pelo fim do prazo de contestação e pelo avanço do processo judicial para determinar os próximos passos contra os investigados.
A situação envolvendo o desembargador e demais políticos levanta questionamentos sobre a segurança das informações em operações sensíveis e a integridade de agentes públicos. O caso segue em andamento, com a expectativa de novas revelações conforme a investigação progride.