A queda de “El Mencho”: O fim de um império do crime e o rastro de violência no México
As forças de segurança do México confirmaram a morte de Nemesio Rubén Oseguera Cervantes, o temido “El Mencho”, em uma operação no estado de Jalisco. A notícia, divulgada neste domingo (22), encerra a saga de um dos narcotraficantes mais procurados do mundo, que liderou o Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) e o transformou em uma máquina de guerra e negócios ilícitos.
“El Mencho” ficou gravemente ferido ao tentar fugir das autoridades e não resistiu durante o traslado aéreo para a Cidade do México. Sua morte, conforme informações da Secretaria da Defesa Nacional, desencadeou uma série de atos violentos em diversas regiões do país, com incêndios de veículos e bloqueios de estradas, evidenciando o poder e o alcance de sua organização.
O Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) expandiu-se rapidamente desde sua fundação em 2009, tornando-se uma das organizações criminosas mais poderosas e violentas do México. Sua atuação abrange o tráfico de drogas para os Estados Unidos, como cocaína, metanfetamina e fentanil, além de atividades como extorsão e roubo de combustível. A organização chegou a ser designada como terrorista estrangeira pelo governo americano em 2020.
Quem foi Nemesio Oseguera Cervantes, “El Mencho”?
Nascido em 17 de julho de 1966, em Aguililla, Michoacán, “El Mencho” teve uma trajetória marcada pelo crime desde cedo. Ele imigrou ilegalmente para os Estados Unidos na década de 1980 e, em 1994, foi condenado por tráfico de heroína. Após cumprir pena, foi deportado para o México.
Na década de 2000, ele se envolveu com o crime organizado no México, eventualmente fundando o CJNG. Sob sua liderança, o cartel ganhou notoriedade por sua extrema violência e capacidade de ataque, incluindo o abatimento de um helicóptero militar em 2015 e um atentado contra o Secretário de Segurança da Cidade do México em 2020.
A expansão territorial e o poder do CJNG
Conforme a DEA (Administração de Controle de Drogas dos EUA), o CJNG possui presença em pelo menos 21 dos 32 estados mexicanos e opera em grande parte do território americano. “El Mencho” foi fundamental para essa expansão, diversificando as fontes de receita do cartel com extorsão, roubo de combustíveis e outras atividades ilícitas.
O Departamento de Estado dos EUA oferecia uma recompensa de até US$ 15 milhões por informações que levassem à sua prisão, e ele era um alvo prioritário da DEA. Sua morte representa um golpe significativo, mas a capacidade de reação do cartel ainda é uma incógnita.
A família e o legado de “El Mencho”
A família de “El Mencho” também esteve sob o escrutínio das autoridades. Sua esposa, Rosalinda González Valencia, foi sentenciada por lavagem de dinheiro, mas liberada. Seu filho, Rubén Oseguera González, conhecido como “El Menchito”, cumpre prisão perpétua nos Estados Unidos por conspiração no tráfico internacional de drogas.
A morte de “El Mencho” gerou uma onda de violência e levou diversos países, como Reino Unido, Espanha, Alemanha, França, Estados Unidos, Argentina, Bolívia e Equador, a emitir alertas de viagem para o México, recomendando cautela a seus cidadãos. A operação que localizou o líder do CJNG contou com apoio de inteligência dos Estados Unidos. Confrontos resultaram na morte de 25 membros da Guarda Nacional e pelo menos 30 membros do cartel.
O futuro do CJNG e as reações internacionais
Ainda não está claro quem assumirá o comando do CJNG nem como a organização reagirá à perda de seu líder. O presidente dos EUA, Donald Trump, em postagem na Truth Social, declarou que “o México precisa intensificar seus esforços contra os cartéis e as drogas!”. A escalada de violência após a morte de “El Mencho” reforça a complexidade da guerra às drogas no México e seus impactos globais.