Polícia Federal prende suspeito de integrar rede de tráfico internacional de animais silvestres em Santarém, Pará. Ação visa desarticular organização criminosa com atuação em cinco estados brasileiros.
Um homem, tido como suspeito de integrar uma sofisticada organização criminosa transnacional especializada no tráfico de animais silvestres ameaçados de extinção, foi detido em Santarém, no oeste do Pará. A prisão ocorreu durante a deflagração da Operação Extinção Zero, uma ação coordenada pela Polícia Federal.
A operação, que cumpriu mandados em cinco estados, incluindo Pará, Bahia, Pernambuco, Piauí e Maranhão, busca desmantelar uma complexa rede que retira animais da natureza, os prepara e os envia para clientes no Brasil e em outros países. A PF já registrou a prisão de 10 indivíduos até o momento.
De acordo com as investigações da Polícia Federal, o grupo criminoso operava a partir de Juazeiro do Norte, no Ceará, onde se concentravam os líderes da quadrilha. Eles compravam os animais diretamente de caçadores, que eram responsáveis por sua captura na fauna brasileira. Posteriormente, os animais eram repassados para compradores em território nacional e internacional.
Planejamento de Captura de Ararinhas-Azuis em Criadouro é Revelado
Um dos pontos mais alarmantes das investigações é o planejamento, supostamente orquestrado para 2025, de capturar ararinhas-azuis que estavam sob os cuidados do Programa de Reintrodução da Espécie. Esses animais estavam em um criadouro conservacionista localizado no município de Curaçá, na Bahia, um local dedicado à preservação e recuperação da espécie.
Estrutura Organizada e Uso de Tecnologia para Dificultar Rastreamento
A organização criminosa demonstrava uma estrutura bem definida, com clara divisão de tarefas entre seus membros. Havia capturadores, financiadores, intermediários e receptadores, cada um com funções específicas. Para realizar suas atividades ilícitas, o grupo utilizava recursos como drones, armas, contas bancárias de terceiros e aplicativos de comunicação criptografada, tudo para dificultar a identificação e o rastreamento de suas ações.
Origem da Investigação: Apreensão de Animais em Veleiro no Togo
As investigações que levaram à operação tiveram início após a apreensão de um veleiro brasileiro em fevereiro de 2024, no Togo, país da África Ocidental. A embarcação transportava 17 micos-leões-dourados e 12 araras-azuis-de-lear, ambas espécies brasileiras em risco de extinção. A apuração indicou que os animais haviam saído do Brasil com documentação CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Extinção) inautêntica, o que configura crime de contrabando.
Colaboração com Órgãos Ambientais e Penalidades Previstas
Durante o curso da investigação, a Polícia Federal contou com o apoio fundamental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), órgãos responsáveis pelo resgate, avaliação, reabilitação e, quando possível, pela reintegração dos animais ao seu habitat natural. Os envolvidos na operação poderão responder por uma série de crimes, incluindo organização criminosa, contrabando, receptação qualificada e crimes ambientais, como maus-tratos a animais, além de outros delitos que possam surgir durante as apurações.
A operação resultou na expedição de 12 mandados de prisão preventiva e 22 mandados de busca e apreensão, todos autorizados pela 2ª Vara Federal Criminal da Bahia. As buscas e prisões foram realizadas nos estados da Bahia, Pernambuco, Piauí, Maranhão e Pará, demonstrando a abrangência da atuação desta rede criminosa.