Oposição exige demissão de Paulo Gonet por suposta omissão em investigações do Banco Master

Deputados da oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva protocolaram um ofício solicitando a demissão do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet. A principal alegação é a suposta omissão do procurador em investigações que envolvem o liquidado Banco Master e suas conexões com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os parlamentares Caroline de Toni (PL-SC) e Gustavo Gayer (PL-GO) argumentam que Gonet não tem atuado de forma adequada nas apurações. Segundo eles, a conduta do Procurador-Geral pode configurar um descumprimento de suas funções constitucionais, conforme informação divulgada pelo jornal O Globo.

O pedido se baseia no artigo 128 da Constituição Federal, que permite ao presidente da República solicitar ao Senado a exoneração do chefe do Ministério Público. Para que a medida seja efetivada, é necessária a aprovação da maioria absoluta dos senadores, um processo sem precedentes desde a redemocratização do país.

Suspeitas de Conflito de Interesses e Contatos com Ministros

Um dos pontos centrais do pedido de demissão é a decisão de Gonet em arquivar requerimentos que questionavam a possível suspeição do ministro Dias Toffoli. A investigação apura suspeitas de conflito de interesses, uma vez que Toffoli foi sócio de irmãos em uma empresa que negociou cotas de um resort com um fundo ligado ao empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.

Os deputados também destacaram a ausência de manifestação de Gonet sobre suspeitas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Alega-se que Moraes teria mantido contato frequente com Vorcaro, inclusive no dia da prisão do empresário, quando este tentava sair do país. Adicionalmente, é citada a relação da esposa de Moraes, Viviane Barci, que teria obtido um contrato de R$ 129 milhões com o banco por serviços advocatícios.

Críticas de Ministro do STF e Justificativa da PGR

A pressão sobre Paulo Gonet aumentou após críticas públicas do ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master no STF. Mendonça classificou como “lamentável” o pedido de mais prazo feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para analisar documentos da investigação, apontando um possível risco às vítimas e à condução da justiça.

Em sua defesa, Gonet justificou a necessidade de mais tempo devido ao vultoso volume de informações, que ultrapassam centenas de páginas. A oposição, no entanto, vê nessa justificativa mais um indício de omissão e ineficiência na condução das apurações.

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