PF aprofunda investigação sobre “Os Meninos”, grupo suspeito de realizar invasões digitais para a organização de Daniel Vorcaro

Após desarticular o grupo “A Turma”, a Polícia Federal agora concentra esforços para identificar os integrantes e o modus operandi de “Os Meninos”, outra célula criminosa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro. Este novo foco investigativo busca desvendar a extensão das operações digitais que teriam alimentado a rede de intimidação e atividades ilícitas.

Acredita-se que “Os Meninos” eram responsáveis por extrair informações sigilosas através de acessos ilegais a sistemas de dados confidenciais. Essa colaboração teria sido crucial para o funcionamento da “Turma”, fornecendo subsídios para suas ações.

As investigações buscam determinar se o grupo ainda está ativo e quem são seus membros, com pelo menos 20 pessoas sob escrutínio. A possibilidade de ligação com jornalistas e influenciadores que atacaram o Banco Central também não é descartada, conforme revelado em informações obtidas pela Gazeta do Povo.

Operação “Compliance Zero” revela divisão de tarefas entre grupos

A existência de “Os Meninos” foi exposta no voto do ministro André Mendonça, do STF, que manteve Daniel Vorcaro preso. Ele descreveu “A Turma” como o braço operacional e de intimidação física, enquanto “Os Meninos” atuavam nas “investidas de hackeamento e invasão digital”. Essa divisão clara de tarefas sugere uma estrutura organizada para atender aos interesses da “organização”, segundo o ministro.

A defesa de Vorcaro, em momentos anteriores, negava as acusações, afirmando que as interpretações das mensagens estavam fora de contexto. No entanto, o ministro Mendonça detalhou que Vorcaro utilizava “Os Meninos”, juntamente com um indivíduo apelidado de “Sicário”, para a “execução de ilícitos variados”, incluindo atos de violência.

“Os Meninos” teriam recebido cerca de R$ 1 milhão mensalmente

Detalhes financeiros revelados em mensagens do celular de Vorcaro indicam repasses substanciais. O “Sicário” teria explicado a divisão de um montante de cerca de R$ 1 milhão por mês, com “75 para cada” integrante dos “Meninos”, sugerindo um valor de R$ 75 mil mensais para cada um, ainda sem um número definido de membros.

Além do valor fixo, “bônus” enviados por Vorcaro também eram rateados. Uma mulher investigada no esquema participava da operacionalização desses fluxos financeiros, destinados a custear as atividades de monitoramento e obtenção de informações.

Flagrante de “Os Meninos” pela PRF durante operação

A atuação de “Os Meninos” ganhou evidência durante a terceira fase da operação “Compliance Zero”, quando a Polícia Rodoviária Federal interceptou um veículo do “Sicário” transportando “dois potenciais integrantes” do grupo. No carro, foram encontrados quatro computadores, caixas e malas, indicando uma possível mudança de local.

O ministro Mendonça destacou que esses indivíduos eram “instrumentos de Daniel Vorcaro”, referindo-se a eles como “Meninos dele”. A existência e atuação contínua deste grupo foram fundamentais para justificar a manutenção da prisão preventiva do banqueiro, devido aos riscos à ordem pública.

Atribuições de “Os Meninos” incluíam invasões e manipulação de informações

Segundo os elementos reunidos, “Os Meninos” atuavam em operações cibernéticas, como invasões de sistemas e tentativas de acesso a dados restritos. Essa atuação complementava o trabalho da “Turma”, fornecendo informações estratégicas e ampliando o alcance da organização criminosa.

As possíveis funções do grupo incluíam invasões a sistemas institucionais e privados, coleta de dados sensíveis, apoio a estratégias de monitoramento e atuação em campanhas de manipulação de informação e reputação. Há indícios de uso indevido de credenciais e acesso a bases restritas, o que agrava a gravidade do esquema.

“A Turma” funcionava como “milícia privada” com ações de campo

Enquanto “Os Meninos” focavam no digital, “A Turma” era o núcleo mais ostensivo, voltado para ações de campo, monitoramento, coleta de informações e intimidação. Relatórios da PF apontam que este grupo atuava como uma “espécie de milícia privada”, com acompanhamento presencial de adversários e abordagens coercitivas.

Um grave episódio relatado envolve a ameaça a um ex-funcionário de Vorcaro e sua família. A estrutura contava com coordenação definida, com o “Sicário” como peça central na organização e distribuição de tarefas. Mensagens indicam repasses regulares de recursos para manutenção das atividades, muitas vezes disfarçados por meio de empresas.

A “Turma” também teria atuado no levantamento de dados sensíveis com auxílio dos “Meninos”, contando com pessoas com experiência em segurança pública. Durante a operação, foram apreendidas armas de diferentes calibres, reforçando a hipótese de potencial para ações violentas.

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