Policial Militar é Denunciado por Duplo Homicídio e MP Pede Indenização de R$ 100 Mil para Famílias das Vítimas
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) apresentou denúncia contra o policial militar Gustavo Pereira, de 31 anos, por feminicídio e homicídio qualificado. Ele é acusado de matar a ex-companheira, Jessica Brito de Lima, de 30 anos, e Gabriel Dulo, de 23, em Terra Boa, no Paraná. A denúncia, divulgada nesta sexta-feira (13), também solicita uma indenização de R$ 100 mil para os familiares das vítimas.
O crime ocorreu em 31 de janeiro, quando Gustavo Pereira teria invadido a residência de Jessica e efetuado 17 disparos contra ela e Gabriel. A Secretaria de Segurança Pública do Paraná (SESP-PR) confirmou que o policial utilizou a arma de serviço para cometer os assassinatos. Gustavo Pereira está preso desde o dia do duplo homicídio.
Em 5 de fevereiro, a defesa do policial informou que ele confessou o crime e que não pediria liberdade provisória. O caso segue em andamento na Justiça, que decidirá se o PM se tornará réu. Conforme apurado pelo g1, Gustavo Pereira, lotado em Cianorte, estava de folga no dia dos fatos e foi encaminhado à 21ª Subdivisão Policial de Cianorte, onde prestou depoimento em silêncio.
Detalhes do Crime e Relação das Vítimas
De acordo com Greise Fortunato, irmã de Jessica, a vítima e Gustavo Pereira tiveram um relacionamento de sete anos, mas não eram casados. Eles têm um filho juntos. A relação teria apresentado problemas desde o final de 2024, com idas e vindas. Há oito meses, Jessica chegou a solicitar uma medida protetiva contra Gustavo, mas a retirou após duas semanas devido a suposta “pressão psicológica” exercida por ele, segundo a irmã.
A última tentativa de reconciliação ocorreu em outubro de 2025 e também terminou no mesmo mês. A partir daí, o relacionamento foi encerrado. Em novembro de 2025, Jessica conheceu Gabriel Dulo, e os dois estavam se conhecendo quando o crime aconteceu. Danielly Dulo, irmã de Gabriel, confirmou que o irmão mencionou brevemente estar conhecendo Jessica.
Defesa do Policial Militar e Medida Protetiva
O advogado de Gustavo Pereira, João Filho, confirmou que o policial confessou o crime. Sobre a motivação, a defesa declarou que aguardará o resultado de todas as perícias. A defesa também abordou a questão da medida protetiva, afirmando que Jessica a revogou espontaneamente perante o judiciário, sem influência de Gustavo Pereira. A alegação é que o próprio policial se apresentou à PM após os fatos, o que questionaria a necessidade de exigir a retirada de uma denúncia.
A defesa ressalta que respeita o posicionamento das famílias, mas é necessário apresentar os fatos como ocorreram para auxiliar as investigações. Por ora, não será solicitado o pedido de liberdade para Gustavo Pereira, e a defesa aguardará o término das investigações. Ele foi transferido para o Complexo Médico Penal, em Curitiba, uma transferência considerada normal devido à falta de estrutura adequada para manter presos em batalhões e companhias.
Investigação e Próximos Passos
Foram solicitados exames periciais adicionais, e a defesa aguarda a conclusão de todos os laudos técnicos. A possibilidade de solicitar a reconstituição dos fatos não está descartada, visando contribuir com a investigação e buscar a verdade. A defesa pede cautela em julgamentos precipitados e respeito ao momento que as famílias das vítimas estão passando.
As famílias das vítimas realizaram um protesto em 1º de fevereiro, clamando por justiça. O caso segue sob investigação da Polícia Civil do Paraná, que adotará as medidas legais, administrativas e disciplinares cabíveis. O policial militar permanece preso.