Renan Filho descarta espontaneidade em protesto de caminhoneiros e vê “interesses políticos” por trás da alta do diesel.

O ministro dos Transportes, Renan Filho, minimizou a possibilidade de uma paralisação de caminhoneiros em protesto contra a alta do diesel. Em entrevista ao jornal O Globo, publicada nesta sexta-feira (20), ele expressou dúvidas sobre a unidade de interesses da categoria e apontou um claro viés político-partidário na mobilização.

“Não sinto que há um movimento espontâneo, mas sim que há gente com interesses difusos, e uma parcela desses interesses também políticos, que estimulam”, avaliou o ministro. A declaração surge em um momento delicado para o setor de transportes, com a ameaça de novas greves pairando no ar.

Após negociações com o governo federal, as entidades de representação dos caminhoneiros suspenderam uma paralisação, mas mantêm o estado de alerta. Renan Filho se comprometeu a fiscalizar todos os fretes do país para coibir o descumprimento do piso mínimo de frete e prometeu que empresas infratoras poderão ser impedidas de contratar motoristas. Conforme informação divulgada pelo jornal O Globo, o ministro também sinalizou que uma solução para evitar greves em ano eleitoral poderia envolver negociações com o Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a regra de descanso obrigatório para motoristas a cada 11 horas de estrada.

Entenda a crise do diesel e o risco de greve

A atual crise do diesel tem suas raízes na guerra entre Irã e Estados Unidos, que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, rota crucial para a exportação de petróleo. Esse cenário elevou o preço do barril, impactando diretamente o custo do combustível no Brasil.

Em resposta, o presidente Lula (PT) zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel e anunciou uma subvenção de R$ 10 bilhões. A medida visa estabilizar os preços, com expectativa de redução de até R$ 0,64 por litro nas bombas. Apesar da adesão da Petrobras ao programa, a estatal anunciou um reajuste de R$ 0,38 por litro, que poderia ter sido maior sem a intervenção governamental.

Governo busca evitar o fantasma da greve de 2018

As ações do governo visam, principalmente, evitar a repetição do cenário de 2018, quando a greve dos caminhoneiros paralisou o país por dias, gerando desabastecimento e bloqueios em rodovias de 24 estados e no Distrito Federal. A mobilização histórica deixou marcas profundas na economia e na confiança do setor.

STF e a regra de descanso: um novo ponto de atrito

Outro ponto de tensão destacado por Renan Filho é a determinação do STF sobre o tempo de descanso obrigatório dos motoristas. A regra, que exige parada a cada 11 horas de estrada, tem sido vista como um obstáculo prático para os caminhoneiros, especialmente quando estão próximos de seus destinos. O ministro indicou a busca por um acordo para flexibilizar essa norma, buscando maior tranquilidade para a categoria e evitando novos focos de protesto.

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