Rio de Janeiro: Justiça e Polícia Definem Futuro Político com Candidaturas Incertas para Governador e Senado
O Rio de Janeiro, um dos maiores colégios eleitorais do Brasil, vive um cenário político complexo e imprevisível. A definição dos candidatos a governador e senador para as próximas eleições está longe de ser um processo simples, dependendo não apenas das decisões partidárias, mas também de ações da Justiça Eleitoral e até mesmo de investigações policiais.
As principais chapas foram anunciadas, mas a possibilidade de reviravoltas é real. Decisões judiciais e desdobramentos de inquéritos podem impactar significativamente o quadro eleitoral até o dia 15 de agosto, prazo final para o registro das candidaturas.
Este artigo detalha os principais pontos de tensão e incerteza que moldam a corrida eleitoral no Rio de Janeiro, conforme informações divulgadas por fontes jornalísticas. Acompanhe as movimentações que podem definir o futuro político do estado.
Cláudio Castro e a Disputa pela Vaga no Senado
O atual governador, Cláudio Castro (PL), reeleito em 2022, não pode concorrer novamente ao cargo de governador. Seu plano é se candidatar ao Senado, o que exige sua desincompatibilização até abril. Contudo, a ausência de um vice-governador desde maio de 2025, quando Thiago Pampolha renunciou, cria um vácuo de poder.
A lei prevê uma eleição indireta para a escolha de um governador “tampão” pelos deputados estaduais. Essa eleição indireta, que pode ocorrer antes da eleição direta de outubro, já se tornou um ponto de discórdia. Enquanto Flávio Bolsonaro defende que Douglas Ruas, candidato a governador pelo PL, também dispute a eleição indireta, Castro prefere apoiar Nicolla Miccione, atual secretário estadual da Casa Civil.
Aliados de Castro cogitam levar essa divergência à Justiça, questionando a validade de uma lei aprovada recentemente pela Alerj que reduz o prazo de desincompatibilização para 24 horas para a eleição indireta. Caso a Justiça determine o cumprimento dos 180 dias, tanto Ruas quanto Miccione ficariam impedidos de concorrer, forçando o PL a buscar novas alternativas.
O Candidato do PL e a Estratégia para o Governo
A chapa do PL para o governo do Rio de Janeiro foi definida com Douglas Ruas, filho do prefeito de São Gonçalo, como candidato a governador. Ruas, que foi deputado estadual com expressiva votação, foi escolhido por seu potencial eleitoral, superando o delegado Felipe Curi, que ganhou notoriedade após uma operação policial. Curi deve concorrer a deputado federal e atuar na coordenação do plano de segurança de Ruas.
Rogério Lisboa, ex-prefeito de Nova Iguaçu, já está confirmado como candidato a vice-governador na chapa do PL. Para o Senado, os nomes cogitados são Cláudio Castro e o atual prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella.
Eduardo Paes e a Frente de Oposição
Do outro lado do espectro político, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), anunciou sua pré-candidatura a governador, contrariando declarações anteriores de que completaria seu mandato na prefeitura. Paes, que já disputou o cargo em 2018, busca fortalecer sua base eleitoral na região metropolitana e no interior.
A escolha de sua vice recaiu sobre Jane Reis, irmã de Washington Reis, figura política influente em Duque de Caxias. A chapa de Paes terá como um dos candidatos a senador a ex-governadora Benedita da Silva (PT). O outro nome para o Senado ainda não foi definido.
Pendências Judiciais e o Risco de Inelegibilidade
O governador Cláudio Castro enfrenta um processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode torná-lo inelegível. Ele é réu em uma ação que apura abuso de poder político e econômico na eleição de 2022, o chamado “escândalo do Ceperj”. Investigações apontam para uma suposta folha de pagamento secreta com cerca de 20 mil cargos temporários no Ceperj e na Uerj para beneficiar aliados.
Embora tenha sido absolvido pelo TRE-RJ em 2024, o Ministério Público Eleitoral recorreu. A ministra relatora Isabel Gallotti votou pela cassação de seu mandato e direitos políticos, mas o julgamento foi interrompido e será retomado em março. Castro aposta em novos pedidos de vista para adiar a decisão.
Outra figura sob escrutínio é o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), ex-presidente da Alerj. Ele foi preso em dezembro do ano passado sob acusação de vazar informações sobre uma operação policial que resultou na prisão de outro deputado. A Polícia Federal o indiciou por vazar informações à facção criminosa Comando Vermelho, mas seus advogados classificam as acusações como “arbitrárias”. A investigação continua e pode impactar outros políticos.
O cenário eleitoral no Rio de Janeiro permanece dinâmico, com a Justiça e a polícia desempenhando papéis cruciais na definição dos rumos políticos do estado.