Acordo secreto entre Rússia e Irã pode alterar o equilíbrio de poder no Oriente Médio diante da política de sanções dos EUA.
Em um movimento que pode redefinir as relações geopolíticas na região, a Rússia e o Irã firmaram um pacto secreto para o fornecimento de milhares de sistemas portáteis de defesa aérea (Manpads) ao regime iraniano. Este acordo, no valor de 500 milhões de euros, representa o maior esforço para recompor as defesas aéreas do Irã, severamente afetadas em conflitos anteriores.
A revelação, feita por uma investigação especial do Financial Times, aponta para uma cooperação estratégica entre Moscou e Teerã em um momento de crescente tensão com os Estados Unidos. A política de pressão máxima imposta pela administração Trump tem levado o Irã a buscar novas alianças e a reforçar sua capacidade de defesa.
Enquanto os EUA aumentam a pressão militar com o envio de porta-aviões e reforços navais ao Oriente Médio, o Irã, por sua vez, busca uma saída diplomática para evitar um conflito. O ministro das Relações Exteriores iraniano indicou a possibilidade de novas negociações nucleares com Washington, mas o acordo secreto com a Rússia sinaliza que o país está se preparando para todos os cenários.
Detalhes do acordo secreto e o armamento russo
O documento, assinado há dois meses em Moscou por autoridades iranianas e russas, prevê a entrega de pelo menos 500 sistemas de defesa aérea Verba e 2.500 mísseis 9M336 ao Irã ao longo de três anos. Esta informação foi divulgada por fontes que tiveram acesso a documentos russos vazados.
O sistema Verba é descrito como um dos mais avançados da Rússia. Trata-se de um míssil portátil guiado por infravermelho, capaz de neutralizar alvos como mísseis de cruzeiro, aeronaves de baixa altitude e drones. Sua característica de ser operado por pequenas equipes móveis permite a criação rápida de defesas dispersas, **sem a dependência de instalações fixas de radar**, o que o torna uma ferramenta estratégica valiosa para o Irã.
Pressão americana e busca por diálogo
A escalada da pressão militar dos Estados Unidos na região incluiu o posicionamento de caças de última geração e reforços navais. Essa movimentação ocorre em um contexto de intensas sanções econômicas impostas ao Irã pela administração Trump, visando forçar o país a negociar um novo acordo nuclear e limitar seu programa de mísseis balísticos.
Apesar do aumento da presença militar americana, o Irã mantém a porta aberta para o diálogo. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, expressou otimismo sobre a possibilidade de uma nova rodada de negociações nucleares com os EUA, prevista para a próxima quinta-feira em Genebra. Ele acredita em uma boa chance de se chegar a uma solução diplomática, condicionada à suspensão das sanções contra o país.
Propostas e prazos na diplomacia nuclear
Araqchi anunciou que o Irã apresentaria sua proposta de acordo em poucos dias, buscando um entendimento sobre princípios fundamentais que garantam a natureza pacífica de seu programa nuclear. Por outro lado, o presidente dos EUA, Donald Trump, estabeleceu um prazo de 10 a 15 dias para a diplomacia, indicando que considerava um ataque limitado contra o Irã caso as negociações não avançassem.
O futuro das relações entre EUA e Irã permanece incerto, marcado por uma complexa teia de pressões militares, sanções econômicas e tentativas de negociação diplomática. O acordo secreto de defesa aérea com a Rússia adiciona uma nova camada de complexidade a essa já tensa dinâmica regional.