Secretária é acusada de envenenar cardiologista por mais de um ano para ocultar desvio milionário
Um caso chocante abalou o Espírito Santo, onde uma secretária de confiança, Bruna Garcia, é a principal suspeita de ter envenenado o cardiologista Victor Murad, de 90 anos, por pelo menos 15 meses. O motivo por trás do crime, segundo o Ministério Público do Espírito Santo (MP-ES), seria a tentativa de Bruna de **esconder um desvio milionário de R$ 544 mil** das contas do médico.
Bruna Garcia trabalhava na clínica do renomado cardiologista desde 2013, tendo herdado a posição de confiança da mãe, que atuou ao lado de Murad por duas décadas. Essa proximidade permitiu que a secretária tivesse **controle total sobre as finanças do médico**, que não utilizava meios digitais como o PIX, facilitando suas ações fraudulentas ao longo de 12 anos.
O dinheiro desviado, conforme aponta a investigação, era utilizado para sustentar um **padrão de vida luxuoso**, incluindo viagens e hospedagens em hotéis de alto padrão, enquanto o patrimônio do idoso diminuía sem explicações. O promotor Rodrigo Monteiro detalhou que os saques eram frequentes e variados, com valores que chegavam a dez mil reais em um único dia, evidenciando a **audácia da secretária**.
A suspeita de envenenamento surgiu quando os desvios financeiros estavam prestes a serem descobertos. O MP-ES acredita que Bruna Garcia utilizou o arsênico como uma forma de **criar uma cortina de fumaça**, afastando qualquer responsabilidade pelos crimes financeiros através da morte da vítima. A estratégia, no entanto, falhou.
Laudo em cabelo confirma envenenamento prolongado
Enquanto Bruna ostentava nas redes sociais, o cardiologista Victor Murad apresentava **sintomas graves e inexplicáveis**. O veneno, segundo a polícia, era misturado à comida e à água de coco servidas na própria clínica. O mal-estar constante levou o médico a fechar o consultório que mantinha há mais de 30 anos.
A descoberta do crime ocorreu após a demissão de Bruna, quando uma nova funcionária encontrou um frasco de arsênico escondido em um depósito da clínica. O grande desafio para a perícia foi comprovar a ingestão da substância meses depois, já que o arsênico é eliminado rapidamente do organismo. A solução veio através da **análise de fios de cabelo do médico**, que confirmou a exposição prolongada ao veneno.
O laudo forense estabeleceu que o envenenamento durou, no mínimo, **um ano e três meses**. As investigações também revelaram que o veneno foi comprado utilizando os dados do marido de Bruna, que, após investigação, foi considerado inocente por não ter conhecimento das intenções da esposa.
Secretária presa e aguarda julgamento por tentativa de homicídio
Bruna Garcia está presa desde outubro e deverá enfrentar um **júri popular pela tentativa de homicídio qualificado**. A defesa da secretária, liderada por James Gouveia, nega todas as acusações. Segundo o advogado, toda a movimentação financeira era de conhecimento e autorizada pelo médico Victor Murad.
Apesar do grave atentado à sua vida, o cardiologista Victor Murad segue em recuperação em sua residência, buscando superar os traumas físicos e psicológicos causados pela traição de sua secretária de confiança. O caso serve como um alerta sobre a importância da vigilância e da **segurança financeira**, mesmo em relações de longa data.