STF pede detalhes sobre acesso a número de telefone supostamente contatado por Daniel Vorcaro
O Supremo Tribunal Federal (STF) solicitou à CPMI do INSS que aprofunde os esclarecimentos sobre o motivo pelo qual a comissão requereu acesso a dados de um número de telefone ligado à Corte. A investigação busca determinar se este número foi contatado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, no dia de sua primeira prisão, em novembro de 2025, durante a deflagração da operação Compliance Zero, que resultou na liquidação da instituição financeira.
Segundo apuração do jornal O Globo, Vorcaro teria mantido contato com o ministro Alexandre de Moraes para apresentar um balanço sobre a negociação de venda do banco a investidores árabes. No entanto, o ministro Alexandre de Moraes negou veementemente qualquer diálogo com o banqueiro.
A Diretoria-Geral do STF, em ofício ao qual o Poder360 teve acesso, declarou que a solicitação da CPMI precisa de uma “melhor delimitação de sua finalidade e de seu alcance”. O Supremo ressaltou que, dependendo do objetivo da comissão, a matéria pode não se enquadrar nas atribuições da Diretoria-Geral, sendo necessária a apreciação pela Presidência do Tribunal.
Pedido de Carlos Viana e a conexão com o STF
A solicitação de acesso aos dados partiu do senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI do INSS. Ele requereu a identificação dos usuários do número de telefone nos últimos cinco anos. O prazo de dois dias úteis para o fornecimento das informações expirou sem que o STF as apresentasse.
A investigação da CPMI se baseia no envio de mensagens por Daniel Vorcaro para este número em 17 de novembro de 2025. Dados obtidos via Sittel indicaram que o telefone estaria vinculado ao STF. Em entrevista à TV Cultura, Viana chegou a especular que o número poderia pertencer a Alexandre de Moraes, mas posteriormente recuou, afirmando apenas que o telefone é do Supremo.
Andamento da CPMI e decisões relevantes
Em paralelo, o plenário do STF avalia nesta quinta-feira (26) a decisão monocrática do ministro André Mendonça que autorizou a prorrogação da CPMI do INSS por mais 120 dias. Na sessão da comissão pela manhã, Carlos Viana não comentou diretamente o julgamento, mas reforçou que os trabalhos continuam focados na apuração do envolvimento do Banco Master com fraudes contra aposentados e pensionistas.
Outro prazo importante se vence nesta quinta (26), no final da tarde: o tempo estipulado por Mendonça para que o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), leia o requerimento que autoriza a continuidade das investigações da CPMI. Na sessão matinal, a comissão aprovou a convocação do presidente da Associação Nacional de Correspondentes Bancários (ANEC), Lourival Rocha Junior, e a quebra de sigilos de Fábio Gomes Paixão, devido a ligações com a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares do Brasil (Conafer), também sob investigação.