Trabalhadores Baianos Mortos na PB: O que se Sabe Sobre o Caso de Execução em Massa
Quatro trabalhadores baianos, que haviam se mudado para a Paraíba em busca de oportunidades na construção civil, foram encontrados mortos em uma área de mata no bairro de Brisamar, em João Pessoa. Os corpos, que apresentavam sinais de execução, foram localizados na manhã de sexta-feira (3), após o desaparecimento do grupo ter sido registrado na quinta-feira (2). As vítimas estavam desaparecidas desde a terça-feira (31).
O caso chocou as famílias e as autoridades, levantando uma série de questionamentos sobre as circunstâncias do crime, a identidade das vítimas e as possíveis motivações por trás da brutalidade. A Polícia Civil da Paraíba iniciou uma investigação minuciosa para desvendar o que aconteceu com os operários.
O g1 reuniu as informações confirmadas até o momento e os pontos que ainda precisam ser esclarecidos pelas autoridades, em um esforço para trazer luz a este crime hediondo que abalou a região. As famílias agora aguardam respostas e justiça para seus entes queridos.
Os Corpos e as Circunstâncias da Morte
A perícia inicial realizada pelo Instituto de Polícia Científica (IPC) de João Pessoa indicou que os quatro trabalhadores baianos foram mortos há aproximadamente dois dias antes de serem encontrados. Todos foram vítimas de disparos de arma de fogo. Um detalhe macabro que reforça a tese de execução é que três das vítimas estavam com as mãos amarradas para trás, sugerindo que não tiveram chance de defesa.
Os corpos foram localizados em avançado estado de decomposição em uma área de mata, o que dificultou a identificação visual imediata e a contagem exata de perfurações. Exames cadavéricos foram essenciais para confirmar as identidades dos trabalhadores. Segundo o perito Rodrigo Farias, do IPC, um veículo Celta preto, encontrado a cerca de 200 a 300 metros do local, possivelmente foi utilizado para transportar os corpos.
Quem Eram as Vítimas e Por Que Estavam na Paraíba
Os quatro homens eram naturais da Bahia e haviam se mudado para a Paraíba há cerca de dois meses para trabalhar em uma obra. Há 15 dias, estavam hospedados em uma casa de apoio em Bayeux, na Grande João Pessoa. Segundo relatos de familiares, um dos trabalhadores, Gismário Santos, já havia chegado empregado, acompanhando uma empresa do setor de construção civil.
O trajeto dos trabalhadores incluiu saídas de Morro do Chapéu, na Bahia, passagem por Brumado e, posteriormente, a transferência para a Paraíba. A mãe de Gismário, Samara Gonçalves, confirmou que ele estava na Paraíba há cerca de 10 dias quando ocorreu o desaparecimento. A mudança para outro estado visava melhores oportunidades de trabalho.
O Desaparecimento e o Último Contato com os Familiares
O desaparecimento dos trabalhadores foi notado na madrugada de quarta-feira (1º), quando o veículo que os transportaria para o trabalho chegou ao endereço onde estavam hospedados, mas nenhum deles foi encontrado. Ao entrar na residência, o motorista percebeu que o local estava revirado e com sinais de desordem, o que o levou a acionar a polícia.
O último contato com os familiares ocorreu na noite de terça-feira (31), pouco antes do desaparecimento. Lavínia, esposa de Gismário, relatou que a conversa com o marido foi tranquila e não indicava qualquer situação de risco. No entanto, após esse contato, Gismário parou de responder às mensagens e as ligações foram recusadas, levando a família a suspeitar inicialmente de problemas no aparelho celular.
Em um relato angustiante à TV Cabo Branco, a esposa de outra vítima descreveu que falava com o marido por vídeo pouco antes do sumiço. A ligação foi interrompida abruptamente. Ela contou ter ouvido vozes de homens gritando e um momento de tensão, quando pessoas teriam invadido o quarto onde ele estava se preparando para dormir. A mulher afirmou ter visto o rosto do marido em pânico antes da conexão cair.
Investigação em Andamento e Pontos a Esclarecer
A Polícia Civil investiga o caso e já confirmou que os quatro trabalhadores baianos não foram mortos no local onde os corpos foram encontrados. A suspeita é que as vítimas tenham sido executadas em outro local e seus corpos transportados para a área de mata em Brisamar. Imagens de câmeras de segurança estão sendo analisadas, pois mostram quatro homens em uma motocicleta deixando a região próxima ao local onde os corpos foram achados.
A polícia também apura a informação de que o carro encontrado pode ter sido roubado no município de Santa Rita, na Grande João Pessoa. Documentos encontrados com duas das vítimas estão sendo analisados para auxiliar na identificação, mas a confirmação oficial ainda depende de exames periciais. Até o momento, não há suspeitos divulgados nem prisões relacionadas ao caso. A investigação segue em sigilo para não atrapalhar o trabalho policial.
Os corpos foram liberados no sábado (4) pelo Instituto de Polícia Científica (IPC) e devem ser sepultados na Bahia. Familiares estiveram em João Pessoa para realizar o reconhecimento e liberação dos corpos, aguardando respostas e justiça para este crime brutal que vitimou quatro trabalhadores baianos.