Uber contesta Boulos e exige provas de acusações de corrupção envolvendo a plataforma
A Uber do Brasil tomou uma medida formal ao enviar uma notificação extrajudicial ao Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos. A empresa contesta declarações públicas feitas pelo ministro que, em sua visão, sugerem a ocorrência de corrupção de agentes políticos em benefício da plataforma.
A notificação se baseia em dois vídeos recentes divulgados por Boulos. Neles, o ministro levanta suspeitas sobre a atuação de políticos e influenciadores em defesa de aplicativos como a Uber, questionando se haveria recebimento de dinheiro em troca. A informação foi inicialmente divulgada pela coluna Painel, da Folha de S. Paulo, e confirmada pela Uber.
Em um dos vídeos, intitulado “O iFood e a Uber estão mentindo para você”, Boulos expressa a convicção de que “tem algum negócio aí” e questiona se políticos defenderiam a empresa “gratuitamente”. Em outra ocasião, durante uma live, ele afirmou que influenciadores e políticos estariam “a serviço” de plataformas e poderiam receber “dinheiro em troca”. Conforme apurado pela Gazeta do Povo, a notificação extrajudicial funciona como um aviso formal, antecedendo a possibilidade de um processo judicial caso as declarações não cessem.
Boulos foca na regulamentação de aplicativos como bandeira do governo
Guilherme Boulos tem feito da regulamentação do mercado de aplicativos uma de suas principais pautas, especialmente em um ano eleitoral. O ministro frequentemente compara a discussão à da redução da jornada de trabalho sem corte salarial, a “fim da escala 6 x 1”, descrevendo as empresas do setor como “arrogantes” e “intransigentes” em defender seus interesses.
A Uber, por sua vez, reafirmou em sua notificação possuir políticas “rigorosas de compliance e integridade”, com “tolerância zero” a práticas de suborno e corrupção. A defesa da empresa ressaltou que, embora divergências sejam “inerentes à democracia”, elas não podem ser confundidas com a “liberdade para proferir acusações criminais sem comprovação”.
Empresa pede fim das acusações e apresentação de provas
A companhia americana alega que as declarações de Boulos extrapolam os limites da liberdade de expressão, atribuindo à empresa condutas potencialmente criminosas. Assinado pelos advogados Douglas Leite e Fernanda Cohen, o documento solicita que o ministro apresente “imediatamente detalhes”, “nomes de envolvidos” e valores pagos que sustentem as acusações.
A Uber argumenta que a apresentação dessas informações é necessária para que a empresa possa iniciar investigações internas. Adicionalmente, a companhia pede formalmente que o ministro cesse as acusações, que considera “inverídicas” e “sem respaldo probatório” contra a companhia.
Ministro afirma que não se intimidará com a notificação
Procurada pela reportagem, a assessoria do ministro Guilherme Boulos declarou que não comentaria o caso. Em declaração à Folha de S. Paulo, Boulos afirmou que “não se intimidaria” com a notificação extrajudicial enviada pela Uber.