Chefe da diplomacia europeia aponta Kremlin como principal responsável pela morte de Alexei Navalny, ocorrida há dois anos em uma prisão siberiana. Sanções da UE serão mantidas contra Moscou.
A União Europeia, através de sua alta representante para Relações Exteriores, Kaja Kallas, declarou categoricamente que o Kremlin é **”plenamente responsável”** pelo **envenenamento** do líder opositor russo Alexei Navalny, ocorrido há dois anos. Kallas enfatizou que o regime russo não se limita a ações militares na Ucrânia, mas também atua no **silenciamento de opositores** dentro de suas próprias fronteiras.
A declaração, feita em redes sociais, reforça a posição da UE de que o **assassinato de opositores políticos** é intrínseco à natureza do regime russo. Segundo Kallas, tal prática não demonstra força, mas sim **”uma admissão de medo”**, e que a União Europeia **”continuará usando seu regime de sanções”** para garantir a responsabilização por essas ações.
A posição de Kallas surge após a confirmação por cinco países europeus – Alemanha, Reino Unido, França, Suécia e Holanda – de que Navalny foi vítima de uma **toxina letal**. Investigações internacionais, baseadas em amostras coletadas após sua morte em uma prisão ártica russa, indicaram a presença de **epibatidina**, uma substância encontrada em sapos venenosos da América do Sul, como a causa mais provável de seu falecimento aos 47 anos. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também se juntou às condenações.
França Exige Investigação Completa e Independente Sobre o Envenenamento de Navalny
Em linha com as declarações da UE, a França demandou uma **investigação independente e completa** para esclarecer todas as circunstâncias que levaram à morte de Alexei Navalny. O ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, tem agendado um encontro com Yulia Navalnaya, viúva do opositor, que tem continuado o trabalho político e as denúncias sobre a morte do marido.
O presidente francês, Emmanuel Macron, expressou o desejo de que **”a justiça seja feita”** no caso, classificando a morte de Navalny como **”premeditada”** e apontando diretamente para a responsabilidade do Kremlin. Em comunicado, o governo francês homenageou o compromisso de Navalny com **”uma Rússia livre e democrática”**.
A França também lamentou a condenação de três ex-advogados de Navalny por “participação em uma organização extremista”, reiterando que eles apenas cumpriam seus deveres profissionais. O país reafirmou seu apoio àqueles que defendem **”corajosamente”** as liberdades individuais e o Estado de Direito na Rússia, condenando veementemente as violações de direitos humanos e pedindo a libertação de todos os presos políticos.
Kremlin Nega Responsabilidade e Afirma Morte por Causas Naturais
O Kremlin, por sua vez, **rejeitou enfaticamente as acusações** de envolvimento na morte de Navalny. As autoridades russas insistem que o opositor faleceu de **”causas naturais”** na prisão em fevereiro de 2024. Contudo, a alta toxicidade da epibatidina e os sintomas relatados pelo opositor tornam a hipótese de envenenamento a **”causa mais provável”**, segundo a conclusão dos cinco países europeus envolvidos na investigação internacional sobre o caso do líder opositor russo.